Novo teste pode aumentar diagnósticos de microcefalia ligada ao zika

Exame sorológico

Um exame desenvolvido pelo Brasil, e que deverá ser distribuído na rede pública de saúde até o fim do ano, pode revelar um número maior de casos de microcefalia ligada ao zika.

O exame molecular, único disponível no momento para o diagnóstico de zika no país, identifica a presença do vírus na corrente sanguínea, o que dificulta a precisão, pois o zika surge e desaparece do sangue em poucos dias.

Já o novo exame sorológico, que deverá ficar pronto no início do segundo semestre e que poderia chegar à rede pública até o final do ano, não busca o vírus, e sim os anticorpos que o organismo produz contra ele, que podem ser detectados muitos meses após a infecção.

"Por conta disso, grande parte dos testes em mulheres com sintomas de zika que tiveram crianças com microcefalia não levou à detecção do vírus, mas isso não quer dizer que não tenham sido infectadas. Em alguns casos não se está identificando o vírus em mães de bebês com suspeita de microcefalia somente porque ainda não temos o exame sorológico. É algo muito importante", disse Wilson Savino, diretor do Instituto Oswaldo Cruz e integrante do gabinete de emergência formado para enfrentar a epidemia.

Aumento dos casos

Embora Savino ressalte que os cientistas ainda não possuam comprovação da relação de causalidade entre o zika e a microcefalia, há muitos indícios apontando nesta direção.

"Uma vez que tenhamos o exame sorológico, acho muito plausível que haja aumento no número de casos de microcefalia ligados ao vírus zika. Acho que os números serão muito mais contundentes. Embora neste ano já tenha o dobro dos casos de microcefalia do ano passado, a ausência do exame sorológico ainda mantém a discrepância entre avaliação clínica e diagnóstico," afirmou.

Savino acrescentou que o alerta global emitido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que passou a considerar a epidemia de vírus zika uma emergência de saúde pública mundial, vai possibilitar decisões mais rápidas nos 20 países afetados até agora.

"E torna mais evidente que o que está acontecendo no Brasil pode acontecer em qualquer país da região, além de mostrar que estávamos certos ao considerar a epidemia situação de emergência nacional já no ano passado," avaliou.


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