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13/03/2015

Novo mecanismo de hereditariedade altera teoria da evolução

Redação do Diário da Saúde
Novo mecanismo de hereditariedade altera teoria da evolução
Este esquema ilustra como o mecanismo de silenciamento de genes funciona. Os neurônios (magenta) exportam as fitas de dsRNA (seta laranja) que equivalem a um gene (verde) dentro das células germinativas. A importação do RNA resulta no silenciamento do gene (preto), com o silenciamento persistindo por mais de 25 gerações. [Imagem: Antony Jose]

A genética não é tão simples e direta quanto os cientistas pensavam.

Acaba de ser descoberto um novo mecanismo através do qual os pais podem passar genes silenciados para sua prole.

E esse silenciamento pode persistir por várias gerações - mais de 25, no caso deste estudo realizado em animais.

A descoberta, feita pela equipe do Dr. Antony Jose, geneticista da Universidade de Maryland (EUA), foi publicada na revista PNAS.

Herança genética e herança epigenética

Por mais de um século, os cientistas acreditavam compreender os conceitos básicos da hereditariedade: se genes bons ajudam os pais a sobreviver e se reproduzir, os pais passam esses genes para a sua prole.

Contudo, as pesquisas mais recentes têm mostrado que a realidade é muito mais complexa: os genes podem ser desligados, ou silenciados, em resposta ao meio ambiente ou outros fatores, e algumas vezes essas mudanças podem ser passadas de uma geração para a outra.

Esse fenômeno de "herança não-genética" foi denominado "herança epigenética", mas ainda não é totalmente compreendido, embora já faça parte dos trabalhos da maioria dos pesquisadores da área - já se demonstrou, por exemplo, que a generosidade vence o egoísmo na evolução.

A herança epigenética já havia sido documentada ao longo de gerações, mas agora foi dado um passo adicional importante.

A descoberta de um mecanismo específico através do qual os pais podem passar genes silenciados à sua prole promete mudar nossa compreensão da evolução animal, eventualmente deixando os mecanismos simples descritos por Charles Darwin para a história.

Evolução pós-darwinista

Os pesquisadores Sindhuja Devanapally e Snusha Ravikumar trabalharam com os vermes Caenorhabditis elegans, a espécie mais comumente usada em experimentos desse tipo.

Eles fizeram com que as células nervosas dos vermes produzissem moléculas de RNA de fita dupla (dsRNA) que correspondem a um gene específico - o RNA é um parente próximo do DNA e tem muitas variedades diferentes, incluindo o dsRNA.

As moléculas de dsRNA viajam entre as células do corpo e podem silenciar genes quando sua sequência combina com a seção correspondente do DNA de uma célula. Mas, até agora, acreditava-se que elas não atingissem as células germinativas, os óvulos ou esperma.

A principal descoberta da equipe é que o dsRNA pode não apenas viajar até as células germinativas, mas também silenciar genes dentro delas. Ainda mais surpreendente, o silenciamento pode durar por mais de 25 gerações.

Evolução acelerada

Se este mesmo mecanismo for confirmado em outros animais - incluindo os humanos - isso pode significar que há uma maneira completamente diferente para que uma espécie evolua em resposta ao seu ambiente.

"Este mecanismo dá ao animal uma ferramenta para evoluir muito mais rápido," disse Antony Jose. "Nós ainda precisamos descobrir se essa ferramenta é realmente usada desta forma, mas é pelo menos possível. Se os animais usam este transporte de RNA para se adaptar, isso significaria uma nova compreensão de como a evolução acontece."


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