O que é arenavirus?

O que é arenavirus?
Visão em corte do interior de um arenavírus de Lassa, mostrando os grânulo que lhe dão o nome.
[Imagem: Wikimedia Commons]

Possibilidades de infecção

Foi cremado ontem, no Rio de Janeiro, o corpo do engenheiro William Charles Erasmus, de 53 anos, que morreu terça-feira com febre hemorrágica provocada por um vírus ainda não identificado.

Com base em resultados preliminares dos exames que estão sendo realizados na Fiocruz, foram descartados, hoje, diagnósticos de hepatites virais e hantavirose. Uma avaliação anterior já havia descartado dengue, malária e ebola. Outras hipóteses, como leptospirose e arenavírus, continuam sendo investigadas. Os resultados finais dos exames devem sair no início da próxima semana.

O que é arenavírus?

O arenavírus é na verdade uma família, chamada Arenaviridae, dividida em dois grupos. O primeiro desses grupos, conhecido como grupo do vírus de Lassa ou Arenavírus do Velho Mundo, possui cinco tipos diferentes de vírus, enquanto o segundo grupo, conhecido como complexo do vírus Tacaribe ou Arenavírus do Novo Mundo, possui pelo menos 15 tipos diferentes.

O nome arena é o termo latim para areia, porque os arenavírus possuem em seu interior pequenos grânulos, que lembram os grãos de areia. Cada vírus mede entre 110 e 130 nanômetros de diâmetro e possuem formato esférico, com uma camada externa de lipídios. Seu material genético é inteiramente formado por RNA e até hoje se sabe muito pouco sobre sua forma de replicação.

Ocorrência do arenavírus

Apesar de sua estreita ligação com o continente africano - os 16 casos de infecção por arenavírus registrados até hoje foram importados da África - são as Américas que abrigam a maioria desses vetores, com registros na Argentina, Bolívia, Brasil, Venezuela, Trinidad e Estados Unidos. Os Arenavírus do Novo Mundo são classificados em classes A, B e C, sendo que apenas os vírus da classe B causam a febre hemorrágica.

O tipo de arenavírus conhecido como causador da Coriomeningite Linfocítica tem ocorrência em todo o mundo. Na África, ocorre o vírus Lassa, responsável pela febre de Lassa, que se suspeita ter causado a morte do engenheiro sul-africano.

Transmissão do arenavírus

Os diversos membros da família dos arenavírus são catalogados tanto pela sua origem geográfica quanto pela ligação com um tipo de roedor, que é o seu principal transmissor para os humanos, principalmente ratos e camundongos. Com a exceção do vírus de Tacaribe, identificado em Trinidad, transmitido por morcegos.

Em toda a família dos arenavírus, o que mais preocupa, ou seja, aquele que já provocou o maior número de casos de infecções, é o vírus de Lassa, responsável pela febre de Lassa e verificado na África.

Vínculo epidemiológico

A suspeita de que a morte do engenheiro sul-africano tenha sido causada por um arenavírus não se deve ainda a exames, que somente ficarão prontos na próxima semana, mas a um possível vínculo epidemiológico, ou seja, uma história que pode ligar este caso a outros relacionados a esta família de vírus.

O engenheiro foi submetido a uma cirurgia ortopédica num hospital da África do Sul, onde foi registrada a ocorrência de infecções provocadas por arenavírus. O primeiro caso foi o de um trabalhador proveniente da área rural de Zâmbia, seguido por quatro profissionais de saúde que o atenderam na África do Sul e adoeceram após esse contato. Além do paciente, três médicos morreram em razão da infecção.

Como não se pode descartar a possibilidade de que o sul-africano falecido no Rio tenha tido contato com as secreções de alguma dessas cinco pessoas, é necessário fazer exames específicos para detectar se sua morte foi ou não causada por arenavírus.

Infecção por arenavírus

A literatura científica mundial registra 16 relatos de infecção por arenavírus, todos verificados em indivíduos que viajaram do continente africano para outros países. Nas localidades para onde esses pacientes se dirigiram não houve registro de transmissão da doença. Os dados comprovam que as infecções por arenavírus são casos isolados e não representam risco de epidemia.

Infecções por vírus da família arenavírus são raras e produzem um quadro febril hemorrágico, geralmente com evolução rápida e grave, podendo levar a óbito de sete a dez dias após o aparecimento dos sintomas.

Segundo o Ministério da Saúde, contudo, não há motivo para qualquer alarme, porque a transmissão não se dá pelo ar: ela ocorre por contato com secreções - urina, fezes, vômito e saliva - do doente ou de roedores.

Transmissão do arenavírus

A transmissão entre seres humanos é menos comum, mas pode ocorrer também por contato com as secreções das pessoas doentes. Ainda assim, uma pessoa infectada somente transmite o vírus a partir do momento em que ela já apresenta os sintomas da doença.

Isso significa que, entre o momento da infecção e o da manifestação dos sintomas, um período que dura, em média, cerca de dez dias, o paciente não oferece risco de transmitir o arenavírus.

E, mesmo com a presença dos sintomas, só existe risco de contágio se houver contato muito próximo com a pessoa doente. É possível ainda que uma pessoa seja exposta ao vírus e não fique doente, assim como há registros de pessoas que ficaram doentes mas se recuperaram.


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