Saiba por que você está vulnerável à chikungunya

População vulnerável

Como previsto por especialistas, a febre chikungunya chegou ao Brasil.

Trata-se de uma doença infecciosa febril, causada pelo vírus chikungunya (CHIKV), que pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue, e Aedes albopictus.

O nome da doença significa "aqueles que se dobram", no idioma swahili, da Tanzânia, uma referência à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos na primeira epidemia documentada no leste da África, entre 1952 e 1953.

O vírus já circulava em alguns países da África e da Ásia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o ano de 2004 o vírus já foi identificado em 19 países.

Recentemente o vírus foi identificado nas Américas. Toda a população do continente é considerada como vulnerável, por dois motivos: como nunca circulou antes em nossa região, ninguém tem imunidade ao vírus e ambos os mosquitos capazes de transmitir a doença estão presentes em praticamente todas as áreas das Américas.

Quais os principais sinais e sintomas da chikungunya?

Febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos - dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer também dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas.

O vírus pode afetar pessoas de qualquer idade ou sexo, mas os sinais e sintomas tendem a ser mais intensos em crianças e idosos. Além disso, pessoas com doenças crônicas têm mais chance de desenvolver formas graves da doença.

Quem apresentar a infecção passa a estar imune à doença e não será infectado novamente.

Como se identifica um caso suspeito?

O Ministério da Saúde definiu que devem ser consideradas como casos suspeitos todas as pessoas que apresentarem febre de início súbito maior de 38,5ºC e artralgia (dor articular) ou artrite intensa com início agudo e que tenham histórico recente de viagem às áreas nas quais o vírus circula de forma contínua.

Após a picada do mosquito os sintomas aparecem em um período de dois a dez dias, podendo chegar a 12 dias. Esse é o chamado período de incubação.

Se a pessoa for picada no período entre um dia antes do aparecimento da febre até o quinto dia de doença, o pernilongo ficará infectado pelo vírus e poderá transmitir a doença.

Quais as semelhanças com a dengue?

A dor nas articulações também ocorre nos casos de dengue, mas a intensidade na dengue é menor.

Em se tratando de chikungunya, é importante reforçar que a dor articular, presente em 70% a 100% dos casos, é intensa e afeta principalmente pés e mãos (geralmente tornozelos e pulsos).

As pessoas podem ter chikungunya e dengue ao mesmo tempo.

Pernilongos da dengue e da chikungunya

O vírus é transmitido pela picada da fêmea de pernilongos infectados.

O Aedes aegypti tem presença essencialmente urbana e a fêmea alimenta-se preferencialmente de sangue humano. O mosquito adulto encontra-se dentro das residências e os habitats das larvas estão mais frequentemente em depósitos artificiais (pratos de vasos de plantas, lixo acumulado, pneus, recipientes abandonados etc.).

O Aedes albopictus está presente majoritariamente em áreas rurais, peri-urbanas e alimenta-se principalmente de sangue de outros animais, embora também possa se alimentar de sangue humano. Suas larvas são encontradas mais frequentemente em habitats naturais, como internódios de bambu, buracos em árvores e cascas de frutas. Recipientes artificiais abandonados nas florestas e em plantações também podem servir de criadouros.

Como saber se de fato uma pessoa tem chikungunya?

O vírus só pode ser detectado em exames de laboratório. São três os tipos de testes capazes de detectar o chikungunya: sorologia, PCR em tempo real (RT-PCR) e isolamento viral. Todas essas técnicas já são utilizadas no Brasil para o diagnóstico de outras doenças e estão disponíveis nos laboratórios de referência da rede pública.

Atualmente, o laboratório de referência para realizar o diagnóstico laboratorial do chikungunya é o Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, localizado no Pará.

Outros laboratórios de saúde pública estão em fase de treinamento para adotar o exame de detecção do vírus CHIKV.


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