Decidido: Ômega-3 faz bem ao coração, esteja ele sadio ou não

Ponto final

Literalmente centenas de estudos científicos têm destacado os benefícios dos ácidos graxos ômega-3 para a saúde cardiovascular.

Contudo, também têm sido publicados estudos que questionam esses resultados, deixando muitas pessoas sem saber em qual pesquisa acreditar.

Donald Jump e seus colegas da Universidade do Estado de Oregon (EUA) decidiram colocar um ponto final nessas discrepâncias.

Para isso, eles reuniram todos os estudos mais recentes sobre o papel do ômega-3 na saúde do coração e do sistema circulatório em geral, juntando sobretudo aqueles com resultados conflitantes.

A equipe colocou todos os estudos na mesma base, e tirou uma conclusão.

Além do coração

A revisão concluiu que os ácidos graxos ômega-3, oriundos tanto do consumo de peixe quanto na forma de suplementos, ajudam a prevenir as doenças do coração.

Em segundo lugar, os cientistas confirmaram que esses compostos têm um forte efeito positivo sobre outros problemas de saúde não relacionados aos problemas cardiovasculares.

E, finalmente, eles concluíram que os medicamentos para as doenças do coração podem ser a explicação para os resultados conflitantes que diferentes cientistas têm obtido ao estudar o assunto.

Decidido: Ômega-3 faz bem ao coração, esteja ele sadio ou não
Fontes de ácidos graxos derivados de plantas, tais como óleo de linhaça ou de sementes de chia, têm menos benefícios do que os peixes de água fria, por causa de diferenças na forma como o corpo humano processa esses nutrientes.
[Imagem: Wikipedia/Timothy Knepp]

Ômega-3 versus medicamentos

"Depois de décadas de estudo sobre os ácidos graxos ômega-3 está claro que eles têm valor na prevenção primária de doenças do coração," afirmou o Dr. Jump.

"O que é menos claro é o quanto os óleos de peixe impactam na prevenção cardiovascular em pessoas que já têm doenças cardíacas," disse Jump.

"Os estudos realizados várias décadas atrás mostraram valor mesmo para essa população de pacientes, mas os estudos mais recentes são menos conclusivos. Acreditamos que uma explicação é a eficácia dos atuais medicamentos," propõe ele.

Isso ocorreria porque os estudos acompanham pacientes que já estão tomando outros medicamentos, que são pontualmente mais potentes, enquanto o consumo de ômega-3 é sabidamente um processo que traz benefícios em prazos mais longos.

"Quando inúmeras pessoas nesses estudos estão tomando medicamentos para tratar os mesmos problemas que o óleo de peixe também pode afetar, é fácil entender por que qualquer benefício adicional dos óleos de peixe é mais difícil de detectar," explica o pesquisador.

Segundo ele, outra vantagem do ômega-3 em relação aos medicamentos é que, contrariamente a esses, que são pontuais, a ingestão dos ácidos graxos tem efeitos positivos sobre virtualmente todos os fatores de risco cardiovasculares.

Benefícios dos ácidos graxos ômega-3

Veja outras conclusões deste estudo:

  • Um tipo de ácido graxo particularmente importante para a saúde humana é o DHA, que predominantemente se acumula nos tecidos.
  • Fontes de ácidos graxos derivados de plantas, tais como óleo de linhaça ou de sementes de chia, têm menos benefícios do que os peixes de água fria, por causa de diferenças na forma como o corpo humano processa esses nutrientes.
  • Para os indivíduos que não querem ou não podem consumir suplementos de peixe ou óleo de peixe, alguns dos produtos feitos a partir de leveduras ou algas são de alta qualidade.
  • É difícil ter certeza da quantidade de ômega-3 presente em peixes criados em cativeiro porque estes peixes requerem ômega-3 como suplementação da sua própria dieta.

"Continuamos acreditando que as evidências são fortes de que o EPA e o DHA nos tecidos do coração e do sangue são importantes para a saúde e para a prevenção de doenças cardiovasculares

"Para atender às recomendações atuais para a prevenção primária das doenças cardiovasculares, as pessoas devem consumir de 200 a 300 miligramas de EPA e DHA combinados por dia," orienta o pesquisador.


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