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10/03/2016

Órgãos se tornam elo mais fraco quando envelhecemos

Com informações do IGC
Órgãos se tornam elo mais fraco quando envelhecemos
Peixes-zebra ao longo da vida (em cima, peixe-zebra adulto maturo com cerca de um ano; embaixo, peixe-zebra idoso com cerca de 3 anos). [Imagem: IGC]

Envelhecimento saudável

O envelhecimento é um processo natural que não pode ser revertido, mas talvez possa ser tornado mais ameno, ao menos em termos de um envelhecimento saudável.

Para isso, o processo de envelhecimento deveria se manter mais homogêneo, para que um órgão não deixe de funcionar antes que os demais.

O grupo do professor Miguel Godinho Ferreira, do Instituto Gulbenkian de Ciência (Portugal) descobriu agora que alguns órgãos, como o intestino, envelhecem primeiro do que outros devido a um ritmo mais acelerado do "relógio molecular" das células desses órgãos.

Eles constataram que monitorar o ritmo desses relógios biológicos pode ser um bom indicador para o envelhecimento de todo o organismo, uma vez que o aparecimento local de lesões celulares antecipa o surgimento de doenças associadas com a idade.

Telômeros

Os relógios moleculares das nossas células chamam-se telômeros e são estruturas protetoras que se localizam nas extremidades dos cromossomos, assegurando que não há qualquer perda de material genético nas pontas dos cromossomos durante a divisão celular.

Para manterem um tamanho normal, os telômeros têm de ser alongados pela enzima telomerase. No entanto, a maioria das células do nosso corpo desliga esta enzima no momento em que nascemos e, consequentemente os telômeros encurtam em resposta às contínuas divisões celulares.

Uma vez que a função protetora dos telômeros desaparece à medida que envelhecemos, esperava-se que o balanço entre a taxa de proliferação (divisão das células) de um tecido e a disponibilidade de telomerase determinasse o ritmo com que os telômeros encurtam.

"Nós usamos o peixe-zebra, que é um organismo com telômeros semelhantes aos humanos, para testar se, durante a vida de um indivíduo, os órgãos que proliferam mais têm um envelhecimento mais rápido do que órgãos menos proliferativos", explica Miguel Godinho Ferreira.

Eles mediram o tamanho dos telômeros em diferentes tecidos, como o intestino, testículos, sangue, músculo e rins em diferentes momentos, desde o estado larvar ao adulto em fim de vida.

Órgãos se tornam elo mais fraco quando envelhecemos
O ômega-3 restaura os telômeros. Na verdade, estudos sobre esses ácidos graxos mostram uma estreita ligação entre o consumo de ômega 3 e o combate aos efeitos do envelhecimento. [Imagem: Wikimedia/Ufinne]

Órgãos que envelhecem primeiro

"Os nossos resultados mostraram que, em condições normais de envelhecimento, apenas tecidos específicos têm telômeros que encurtam para um tamanho crítico. No entanto, é surpreendente que isto não seja inteiramente dependente da taxa de proliferação do tecido.

"O intestino, por exemplo, que é um tecido altamente proliferativo, acumula telômeros curtos. No entanto, o mesmo não acontece no sangue, um tecido igualmente proliferativo que mantém alguma atividade de telomerase. Também o músculo, um tecido pouco proliferativo, tem telômeros com o mesmo tamanho que o intestino, provavelmente devido à presença intrínseca de agentes que danificam o DNA," explica Madalena Carneiro, primeira autora do artigo.

"É o ritmo do relógio do tecido que é mais rápido no intestino. Isto significa que os telômeros encurtam mais rapidamente no intestino e consequentemente este envelhece primeiro do que outros órgãos. E isto não depende apenas da taxa de proliferação do órgão," acrescenta Miguel Godinho.

Consertar os telômeros

Os experimentos também mostraram que os telômeros curtos acumulam danos no DNA e bloqueiam a proliferação das células, demonstrando que tecidos com telômeros curtos antecipam os marcadores celulares do envelhecimento.

"Nós acreditamos que isto constitui um avanço muito grande no nosso conhecimento de como os telômeros curtos influenciam o envelhecimento. Nós identificamos agora tecidos-chave onde o encurtamento dos telômeros se torna realmente limitante para o funcionamento dos órgãos numa idade avançada. As nossas experiências irão permitir perceber se, ao expressarmos a telomerase no momento certo nestes órgãos específicos, conseguimos evitar a disfunção do tecido e reverter a incidência de doenças do envelhecimento, nomeadamente o câncer," concluiu Miguel Godinho.

Os resultados foram publicados na revista de acesso aberto PLOS Genetics.


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