Proteína beta-amiloide do Alzheimer pode ter efeito benéfico

Efeito benéfico das beta-amiloides

Questionando a teoria mais aceita pelos cientistas sobre a Doença de Alzheimer, as pesquisas mais recentes têm mostrado que as placas amiloides podem ser uma defesa do cérebro contra a doença, e não sua causa.

Essa hipótese recebeu mais uma confirmação com o trabalho de uma equipe internacional de pesquisadores, liderados por Simon Drew (Universidade de Melbourne - Austrália) e Wojciech Bal (Academia Polonesa de Ciências).

Eles descobriram que um tipo da proteína beta-amiloide envolvida na progressão da doença de Alzheimer tem propriedades benéficas ao cérebro.

O estudo mostrou que as proteínas beta-amiloides não são todas iguais: elas têm tamanhos diferentes, e uma boa parte delas não tem as três primeiras ligações no início da proteína, que tem uma estrutura em formato de corrente.

Essa forma mais curta da beta-amiloide atua como uma esponja que captura um metal que pode danificar o tecido do cérebro quando em excesso.

Cobre e radicais livres

Já havia sido verificado que as placas de beta-amiloide apresentam uma elevada concentração de cobre, que pode induzir a formação de radicais livres em excesso, potencialmente danificando as células cerebrais.

As beta-amiloides curtas podem atuar justamente na defesa do cérebro contra esses danos potenciais.

"A pequena mudança no comprimento faz uma diferença enorme em suas propriedades de ligação com o cobre. Descobrimos que a forma curta da proteína é capaz de se ligar ao cobre pelo menos mil vezes mais fortemente do que as formas mais longas. Assim, ela encapsula o metal de uma forma que impede que ele produza radicais livres," explica o professor. Simon Drew.

"Dadas essas propriedades e sua relativa abundância, podemos especular que este tipo de beta amiloide é protetor [do cérebro]. É muito diferente da visão atual de como as beta-amiloides interagem com o cobre biológico," acrescentou.

Sem resultados

As terapias destinadas a reduzir a produção de beta amiloides mostraram até agora uma capacidade apenas modesta para retardar o declínio cognitivo dos pacientes de Alzheimer, e o número de pessoas afetadas pela doença continua a crescer.

Mais recentemente, passou-se a desconfiar que as proteínas tau como causa do Alzheimer, embora alguns pesquisadores já levantem a hipótese de que o Alzheimer possa ser uma consequência do diabetes.


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