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23/01/2015

Descoberta sobre disseminação da chikungunya traz outras preocupações

Com informações da Plos

Doenças globalizadas

A febre chikungunya, uma doença tropical agora já bem conhecida dos brasileiros, só começou a ser levada a sério nos últimos meses, quando os primeiros casos transmitidos localmente foram confirmados, quase ao mesmo tempo, no Brasil e nos EUA.

Tendo feito suas primeiras vítimas no Caribe apenas em 2013, a doença se espalhou de forma explosiva em todas as Américas em 2014.

Preocupados com essa progressão inédita, pesquisadores do Instituto Smithsoniano de Pesquisas Tropicais (STRI) começaram a examinar como a atividade humana condiciona a dispersão do vetor da doença - os pernilongos Aedes aegypti e Aedes albopictus - e as implicações que isso tem para a ecologia da doença.

Mosquitos motorizados

De forma um tanto surpreendente, o estudo mostrou que os mosquitos dependem das redes de estradas e rodovias para se dispersar.

"O vetor não está se movendo organicamente através da paisagem," disse o Dr. Matthew Miller, principal autor do estudo, publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases.

Em vez disso, parece que os pernilongos pegam carona nos carros e caminhões - o alastramento de sua presença é fortemente associado com a rede viária e dá-se a uma velocidade incompatível com o voo normal dos animais.

Assim, para conter a propagação dos vetores, os pesquisadores recomendam que as autoridades de saúde fumiguem os veículos em postos de controle para evitar a dispersão da doença em seus territórios.

Riscos dos mosquitos geneticamente modificados

Matthew Miller e seus colegas emitiram ainda um outro alerta sobre um problema que poderá ter consequências mais sérias a longo prazo na gestão das doenças transmitidas pelos dois vetores.

Segundo a equipe, em maio de 2014 a empresa britânica Oxitec começou a liberar fêmeas do Aedes aegypti geneticamente modificadas para tentar conter a proliferação dos pernilongos. A expectativa é que os mosquitos geneticamente modificados reduzam significativamente a população de Aedes aegypti.

Mas, mesmo se o experimento tiver o sucesso que a empresa e os governos esperam, dada a capacidade dos Aedes para se dispersarem através da malha viária, as populações dos pernilongos poderão se restabelecer rapidamente, virtualmente no mesmo ritmo que a febre chikungunya se espalhou pelo continente - em uma questão de meses. Isto tornaria inócua a política de liberação de mosquitos geneticamente modificados.

Outro risco aventado pelos pesquisadores é que o Aedes albopictus preencha o nicho deixado pelo Aedes Aegypti. Coincidentemente, comentam eles, o primeiro caso transmitido localmente de chikungunya apareceu no Panamá no mesmo mês em que os Aedes Aegypti geneticamente modificados foram liberados na natureza naquele país.

"As duas espécies de mosquito são tão ecologicamente semelhantes que, com a queda nas populações de Aedes aegypti, aumentam as chances de que os Aedes albopictus os desloquem competitivamente," disse Miller. "Esta pesquisa é relevante para o estudo de vetores de doenças introduzidos em todos os lugares."

Outros pesquisadores já vêm alertando há algum tempo sobre a falta de informações científicas sobre a liberação de animais transgênicos no meio ambiente.


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