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24/10/2013

"Peso de consciência" é mais que simples metáfora

Redação do Diário da Saúde
A teoria da "funcionalidade da culpa" tem fortíssima oposição dentro do próprio mundo acadêmico. [Imagem: Princeton University]

Expressões como "peso na consciência" e "carregar a culpa" estão presentes em praticamente todos os idiomas.

Mas será que são só expressões, ou há algo mais nessas metáforas?

Será que a culpa pesa mesmo?

Martin Day (Universidade Princeton) e Ramona Bobocel (Universidade de Waterloo) acabam de demonstrar que sim, que a experiência emocional da culpa está fundamentada em uma sensação corporal específica - de maior peso.

Cognição incorporada

"A cognição incorporada é um campo emergente da psicologia que analisa a forma como nossos pensamentos e emoções interagem com nossos corpos para orientar o comportamento," explicam os pesquisadores.

A culpa geralmente se manifesta na forma de uma sensação desagradável, muitas vezes associada a sentimentos de tensão, tristeza e arrependimento - um "peso em sua consciência".

"Nós examinamos se a culpa é realmente incorporada como uma sensação de peso. Em uma série de estudos nós pedimos a estudantes e membros do público para recordar um momento em que eles fizeram algo antiético. As pessoas se lembraram de uma variedade de irregularidades, como mentir, roubar ou trapacear," contam os pesquisadores.

Depois, em uma tarefa separada, eles pediram que os voluntários avaliassem a sensação subjetiva de seu próprio peso corporal em comparação com a média, ou seja, se eles se sentiam menos pesados do que o normal da população, tendo um peso médio, ou mais peso.

"Nós comparamos estas respostas com as de participantes de controle que recordaram uma memória ética, uma memória de ações antiéticas de outra pessoa ou que não foram convidadas a recordar qualquer memória," escrevem Day e Bobocel.

Peso da culpa

A lembrança de atos antiéticos pessoais levou os participantes a relatarem uma sensação de que pesavam mais, em comparação com a lembrança de atos éticos, atos antiéticos dos outros, ou nenhuma lembrança.

"Nós também descobrimos que este aumento da sensação de peso estava relacionado com um forte sentimento de culpa dos participantes, mas não de outras emoções negativas, como tristeza ou desgosto.

"Embora as pessoas às vezes associem importância [no sentido de poder] com peso, não encontramos nenhuma evidência de que a importância pudesse explicar este resultado. Por exemplo, ações éticas foram classificadas como tão importante quanto as ações antiéticas, mas apenas as memórias antiéticas e indutoras de culpa levaram ao aumento da sensação de [maior] peso," relata a dupla.

Culpa sem função

Para além de seus resultados, os pesquisadores mostram-se signatários de uma polêmica teoria da "funcionalidade da culpa".

"A culpa é importante porque desempenha um papel na regulação do nosso comportamento moral. Ela pode nos ajudar a corrigir os nossos erros e evitar futuras irregularidades," defendem eles.

Essa teoria da "funcionalidade da culpa" tem fortíssima oposição dentro do próprio mundo acadêmico - veja, por exemplo, Quando os pais induzem culpa nas crianças.

No campo espiritualista, a culpa é vista como uma oposição ao perdão, tanto à capacidade de perdoar a si mesmo, quanto à de aceitar o perdão dos outros, o que quase sempre leva a que a pessoa infrinja sofrimentos emocionais a ela própria.


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