Pesquisa na Amazônia busca vírus da família do HIV

Uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) pretende realizar uma pesquisa inovadora e inédita na região amazônica para diagnosticar a presença do Vírus Linfotrópico de células T Humanas (HTLV) em pacientes com doenças hematológicas.

O HTLV é um retrovírus da mesma família do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que infecta a célula T humana, um tipo de linfócito (células brancas do sangue) importante para o sistema de defesa do organismo.

Não existe vacina e nem tratamento para a infecção e para as doenças relacionadas a esse vírus.

Estima-se que existam, no mundo, mais de 20 milhões de pessoas infectadas pelo HTLV tipo 1 e tipo 2 (HTLV-1/2). O Brasil é onde se encontra uma das maiores prevalências da infecção por esse vírus, com cerca de 2,5 milhões de pessoas infectadas.

"Estudos demonstram uma prevalência significativa da infecção na Região Norte. No entanto, em relação à Amazônia Ocidental, não se sabe qual é esta prevalência, porque são escassos os estudos epidemiológicos voltados para infecção pelo HLTV-1/2 na região", explica o pesquisador Gemilson Pontes, do Inpa.

Para Pontes, é importante que se conheçam quais são os subtipos virais circulantes e as patologias associadas à infecção por esse vírus. "Como nossa região apresenta índices elevadíssimos de doenças hematológicas, é importante investigar se essas patologias estão associadas à infecções virais, nesse caso, à infecção pelo HTLV-1/2", explica Pontes.

HTLV

Pontes explica que o HTLV foi o primeiro retrovírus humano, descoberto em 1980. O HIV foi descoberto em 1982.

Posteriormente, com pesquisas aplicadas em pacientes infectados, foram identificadas duas patologias relacionadas à infeção pelo HTLV: a paralisia dos membros inferiores, conhecida como Paraparesia Espática Tropical/Mielopatia associada ao HTLV-1 (PET/HAM) e a Leucemia de Células T Humanas. Estas patologias estão associadas ao vírus tipo 1.

Quanto ao vírus tipo 2, o pesquisador do Inpa explica que ainda não existem provas concretas de patologias associadas à infecção por esse tipo. Contudo, há deduções que relacionam a vários outros tipos de doenças.

Para o pesquisador, a importância que se deu anteriormente, e continua se dando até hoje, ao HIV é pelo simples fato de que apenas de 2% a 5% das pessoas que são infectadas pelo HTLV irão desenvolver as patologias correlatas. Segundo ele, é uma porcentagem relativamente baixa, o que gera pouco interesse público e científico em desenvolver pesquisas relacionadas a esse vírus.


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