Pesquisa com transplante de células-tronco é desmentida

Yin e Yang

Na mesma semana em que um pesquisador japonês dividiu o Prêmio Nobel de Medicina por seus feitos com células-tronco, um compatriota seu envolveu-se em uma suposta fraude científica na mesma área.

Hisashi Moriguchi, um pesquisador trabalhando na Universidade de Tóquio, divulgou uma pesquisa na qual ele afirma ter conseguido fazer um transplante de células-tronco para tratar com sucesso um paciente cardíaco em estado terminal.

Segundo ele, o transplante teria sido feito em Fevereiro deste ano.

Na última quarta-feira, Moriguchi anunciou que, oito meses após o implante das células-tronco, o paciente estava saudável.

Moriguchi fez o anúncio em uma entrevista ao jornal japonês Yomiuri Shimbun, concedida logo após o anúncio do Prêmio Nobel ao também japonês Shinya Yamanaka, que não está envolvido com as pesquisas de Moriguchi.

Sua pesquisa foi apresentada durante a reunião anual da Fundação Nova Iorque de Células-tronco, também na semana passada.

Células-tronco pluripotentes induzidas

Moriguchi afirma ter utilizado células-tronco pluripotentes induzidas, ou iPSCs, as mesmas desenvolvidas por Yamanaka.

Ao contrário das células-tronco embrionárias, que são retiradas de embriões humanos, as células-tronco pluripotentes induzidas são produzidas a partir das células normais de pessoas adultas, como as células da pele, que são induzidas a se tornarem novamente pluripotentes, ou seja, capazes de se transformar em qualquer tipo de célula.

Fraude científica?

Os problemas com a alegada pesquisa de Moriguchi começaram a surgir quando ele declarou que o transplante fora feito em colaboração com a Escola de Medicina de Harvard e com o Hospital Geral de Massachusetts, ambos nos Estados Unidos.

Antes de publicar a reportagem, a revista Nature contatou as duas instituições para saber mais detalhes do trabalho.

A resposta veio na forma de uma negativa taxativa.

"Nenhum teste clínico relacionado com o trabalho do Dr. Moriguchi foi aprovado por painéis de revisores institucionais nem da Universidade de Harvard e nem do Hospital Geral de Massachusetts," disseram as instituições em nota divulgada à imprensa.

"O trabalho que ele está relatando não foi feito no Hospital Geral de Massachusetts," disse o porta-voz do hospital, Ryan Donovan.

As duas instituições, contudo, confirmam ter recebido o Dr. Moriguchi como pesquisador visitante em 1999 e 2000.

A elucidação da polêmica agora está a cargo da Universidade de Tóquio, onde o pesquisador trabalha desde 2006.


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