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01/09/2016

Pesquisadora brasileira avança no diagnóstico precoce do Alzheimer

Com informações da Agência Fapesp

Exame para Alzheimer

Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo uma técnica promissora para o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.

Ainda não se conhecem marcadores biológicos e não existem exames de imagem para detectar o avanço do processo degenerativo cerebral. O diagnóstico é feito apenas quando já há sinais de declínio cognitivo - basicamente por exclusão de outras condições que causam perda de memória e demência.

"Estima-se que, quando os pacientes começam a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo, cerca de 50% dos neurônios já morreram. E, a essa altura, não há muito mais o que fazer. Porém, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no início, as chances de estabilizar sua progressão com as drogas hoje disponíveis são muito maiores," explicou Luciana Malavolta Quaglio, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Peptídeos

Em busca de uma ferramenta de diagnóstico, o alvo da pesquisadora são as placas de proteínas amiloides beta, que se acumulam no cérebro conforme o Alzheimer progride. Há hoje uma grande controvérsia entre os cientistas e médicos se a as beta-amiloides são causa, consequência ou mesmo defesa do cérebro contra o Alzheimer.

Em qualquer caso, porém, detectar a formação dessas placas indica que a doença está se instalando.

Para detectar a formação das placas, Luciana sintetizou pequenos fragmentos de peptídeos que têm como característica serem atraídos pela beta-amiloide, que é um peptídeo maior.

"Estamos testando quatro diferentes fragmentos peptídicos - todos com poucos aminoácidos. Enquanto o peptídeo beta-amiloide tem cerca de 42 resíduos de aminoácidos, os nossos têm entre quatro e seis; se forem grandes, não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica (um conjunto de células extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue) e chegar ao cérebro," Luciana.

Pesquisadora brasileira avança no diagnóstico precoce do Alzheimer
Pesquisas recentes têm mostrado que as proteínas tau explicam o Alzheimer melhor que as beta-amiloides. [Imagem: Matthew R. Brier]

A estratégia é semelhante à dos exames de cintilografia usados para avaliar, por exemplo, a função renal ou cardíaca. Um composto radiomarcado com afinidade pelo tecido de interesse é injetado no organismo. Quando os elementos chegam ao órgão-alvo, as radiações emitidas são identificadas por um equipamento conhecido como câmara de cintilação e transformadas em imagens, que podem ser interpretadas pelos especialistas.

Quanto menor, melhor

Nos testes in vitro, o índice de interação dos fragmentos radiomarcados com as células cerebrais dos camundongos com Alzheimer foi de 50%. Já com as células dos camundongos sadios o índice ficou entre 10% e 12%. Ao avaliar a interação dos fragmentos radioativos com as proteínas presentes no sangue dos roedores, o índice ficou em torno de 35% nos dois grupos.

"Nesse caso, quanto mais baixo for o índice, melhor, pois uma maior quantidade do composto fica livre para chegar ao alvo desejado. O resultado do experimento mostra que 65% dos nossos fragmentos peptídicos estão livres para percorrer todo o organismo. Alguns dos fármacos disponíveis atualmente apresentam 95% de interação com as proteínas plasmáticas, ou seja, apenas 5% das moléculas ficam livres e mesmo assim ainda conseguem ter alguma eficiência. Imagina quando se tem 65% do composto livre", comparou Luciana.

A pesquisadora agora está tentando encapsular os peptídeos em nanopartículas, para aumentar ainda mais a porcentagem de fragmentos radiomarcados que chegam ao cérebro.


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