Plantas medicinais tornam-se aliadas do soro antiofídico

Plantas medicinais tornam-se aliadas do soro antiofídico
Bothrops insularis ou jararaca-ilhoa. Outra equipe brasileira já havia desvendado o mecanismo que causa a hemorragia da picada da jararaca.
[Imagem: Eduardo Cesar/FAPESP]

Soro e pomada

A recomendação médica é expressa: quem é picado por uma cobra venenosa deve receber o soro antiofídico com urgência.

Mas talvez haja tratamentos complementares, sobretudo quando a picada deixa lesões graves.

"O soro tem ação sistêmica. Consegue minimizar os distúrbios de coagulação, a insuficiência renal e evitar a morte, mas, no caso das jararacas, não combate lesões locais sérias, como feridas e necroses, que podem levar à amputação de pernas e braços," explica o biólogo Carlos Fernandes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

Buscando alternativas para esses casos, ele demonstrou que plantas medicinais usadas por comunidades tradicionais e indígenas são eficazes para tratar as lesões locais.

"Esperamos que uma pomada, por exemplo, possa num futuro próximo complementar o efeito do soro," explicou o pesquisador, que publicou os resultados do seu trabalho na revista científica PLoS One.

Plantas medicinais para picada de cobra

Por volta de 30 mil pessoas são picadas por serpentes no Brasil a cada ano, segundo dados do Ministério da Saúde. As principais vilãs dessa lista, responsáveis por quase 80% dos casos, são justamente as jararacas, cobras do gênero Bothrops, presentes em todas as regiões brasileiras.

A equipe primeiro descobriu que o veneno das jararacas possui uma ação, baseada em dois aminoácidos que ocupam posições diferentes nas fosfolipases que agem de maneiras diferentes, mas com um resultado conjunto que acelera a formação e a expansão das feridas no caso das jararacas.

"Eram informações necessárias para buscar um composto capaz de completar a soroterapia", conta o pesquisador.

A equipe da Unesp está testando compostos ativos presentes em três espécies de plantas medicinais: o ácido aristolóquico (encontrado em uma planta da Mata Atlântica conhecida como jarrinha ou papo-de-peru), o ácido rosmarínico (da erva-baleeira, nativa da mesma mata) e o ácido cafeico (abundante nas folhas do boldo-baiano ou assa-peixe, de origem africana).

O próximo passo será buscar parcerias com instituições com competência na realização de testes com medicamentos, como o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz, para iniciar ensaios pré-clínicos que possam levar à fabricação de um emplastro ou uma pomada de aplicação local que ajude a curar as feridas e evite as amputações.


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