Cientista portuguesa descobre ponto fraco de superbactéria

Cientista portuguesa descobre ponto fraco de superbactéria
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria oportunista e muitas vezes letal, que infecta doentes fragilizados e é altamente resistente a antibióticos.
[Imagem: CDCP/Public Health Image Library]

Bactéria oportunista

A Pseudomonas aeruginosa (ou P. aeruginosa ) é uma bactéria oportunista e muitas vezes letal, que infecta doentes fragilizados e é altamente resistente a antibióticos.

Assim não de surpreender que ela seja uma das causas mais comuns de infecções hospitalares, e uma verdadeira dor de cabeça na saúde pública.

Mas agora um novo estudo realizado pela cientista portuguesa Joana Moscoso, atualmente no Imperial College de Londres, pode ser o primeiro passo para uma nova frente de batalha contra esta superbactéria.

Estilo de vida das bactérias

Joana e seus colegas conseguiram identificar uma molécula que determina se a P. aeruginosa vai causar infecções agudas ou infecções crônicas.

A descoberta da molécula, chamada di-GMP cíclico, é importante porque cada tipo de infecção está ligado a um estilo de vida diferente do microrganismo - bactérias isoladas, móveis ou em colônias.

Esse estilo de vida bacteriano determina suscetibilidades muito diferentes, seja aos tratamentos, seja às defesas do próprio organismo.

Isto sugere que a manipulação dos níveis de di-GMP cíclico pode ser usada para tornar a bactéria mais vulnerável e servir de base a terapias mais eficazes.

Pseudomonas aeruginosa

Em comparação com outros microrganismos, a P. aeruginosa pode ser extremamente difícil de erradicar devido à sua extraordinária adaptabilidade.

Esta bactéria é capaz de sobreviver em uma grande variedade de ambientes - incluindo a água destilada -, é multirresistente a antibióticos e é capaz de infectar todo tipo de órgãos, tanto em plantas quanto em animais, apesar de ser supostamente um organismo de vida livre.

A sua versatilidade estende-se até ao tipo de infecção.

Em doentes com um sistema imunológico fragilizado - por exemplo, pacientes de AIDS, câncer ou simplesmente muito idosos - onde a bactéria tem menos perigo de ser atacada, normalmente ocorre a infecção aguda, que é provocada por bactérias com um estilo de vida nômade.

A infecção crônica já é uma característica de doentes com fibrose cística, onde o muco pulmonar mais viscoso do que o normal proporciona um ambiente propício ao desenvolvimento de colônias de bactérias sedentárias.

Assim, longe do sistema imunológico funcional do doente, e do alcance dos antibióticos, estas são as infecções de P. aeruginosa mais difíceis de erradicar e aquelas que mais facilmente podem ser fatais.

Esta extraordinária capacidade adaptativa torna urgente encontrar drogas mais efetivas ou estratégicas terapêuticas inovadoras que possam, por exemplo, tornar a bactéria mais vulnerável aos tratamentos já existentes.

Vacinas contra bactérias

No estudo agora publicado, Joana Moscoso e seus colegas investigaram os mecanismos moleculares que ajudam a decidir o estilo de vida que a bactéria assume no corpo humano, e, portanto, o tipo de infecção que poderá causar.

Os cientistas descobriram que, na P. aeruginosa, os níveis da molécula di-GMP cíclico são não só cruciais na determinação do estilo de vida da bactéria, como também regulam o estabelecimento e a virulência da infecção - níveis elevados de di-GMP levam a infecções crônicas, enquanto baixos níveis de di-GMP levam a infecções agudas.

O resultado sugere a possibilidade de terapias com base na manipulação dos níveis de di-GMP cíclico, nomeadamente, para a destruição das colônias infecciosas de alta mortalidade, tornando assim a bactéria mais vulnerável em doentes com fibrose cística.

Mas, também, como Joana Moscoso explica, "sendo o di-GMP cíclico uma molécula exclusivamente presente em bactérias, existem outras implicações em perceber os seus mecanismos de ação, não só em termos terapêuticos para a síntese de novos antibióticos contra esta e outras bactérias, mas também na produção de vacinas que possam proteger os doentes mais suscetíveis, diminuindo o número de infecções hospitalares que, no momento, são um dos grandes problemas dos sistemas de saúde em todo o mundo."


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