Pre-eclâmpsia pode ser doença autoimune: tratamento à vista

Pré-eclâmpsia como doença autoimune

Bioquímicos da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, afirmaram que eles foram os primeiros a oferecer evidências pré-clínicas de que a pressão alta causada pela gravidez, ou pré-eclâmpsia, pode ser uma doença autoimune.

Sua pesquisa poderá oferecer novas possibilidades de diagnóstico e terapêuticas para essa doença que hoje não possui tratamento. A descoberta foi publicada online na Nature Medicine.

Os cientistas no laboratório do Dr. Yang Xia descobriram evidências da conexão induzindo sintomas similares à pré-eclâmpsia em ratas prenhes que haviam recebido anticorpos isolados de mulheres sofrendo dessa condição. Esse experimento, classificado como prova de princípio, é chamado transferência adotiva.

Ocorrência da pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia ocorre tipicamente no último trimestre da gravidez e é caracterizada por uma súbita elevação na pressão sangüínea, excesso de proteínas na urina e suor nas mãos, pés e na face.

Ela afeta cerca de uma em cada 20 grávidas e a única cura é o nascimento do bebê. A pré-eclâmpsia é a causa de 15% dos nascimentos de bebês prematuros e é associada com uma alta incidência de doenças e mortalidade entre mulheres e bebês.

Tratamento para pré-eclâmpsia

"Não há tratamento efetivo para a pré-eclâmpsia a não ser o parto, em parte pela falta de um entendimento completo da doença," diz Susan Ramin, co-autora do estudo.

"Esta pesquisa colaborativa é importante por causa do seu potencial para levar a uma possível cura da pré-eclâmpsia nas mulheres grávidas. Utilizando um modelo animal nós fomos capazes de prevenir a pré-eclâmpsia em ratas prenhes. Eu não quero exagerar as implicações, mas isto é claramente um momento muito excitante para todos nós envolvidos na pesquisa. Nós planejamos focar nossos esforços em expandir esta pesquisa às mulheres grávidas."

Sintomas da pré-eclâmpsia

Ao contrário de anticorpos que atacam substâncias desconhecidas e eliminam as doenças do corpo, autoanticorpos atacam suas próprias células e causam condições como o lupus, no qual o sistema imunológico de uma pessoa ataca os próprios órgãos e tecidos da pessoa, diz Xia, coordenador do estudo. No caso da pré-eclâmpsia, acredita-se que os autoanticorpos liguem-se e ativem o receptor angiotensina, que resulta na constrição das artérias.

Os sintomas similares aos da pré-eclâmpsia foram evitados quando as ratas prenhes receberam agentes desenvolvidos para bloquear a ativação do receptor angiotensina.

Autoanticorpos

"O modelo de injeção de anticorpos da pré-eclâmpsia descrito aqui oferece forte suporte experimental para nossa hipótese de que a pré-eclâmpsia seja uma doença autoimune na qual o efeito receptor angiotensina-autoanticorpos ativados contribui para muitas características da doença," escrevem os pesquisadores em seu artigo.

Se a pesquisa for confirmada em testes humanos, Xia acredita que esta informação poderá ser utilizada tanto para um diagnóstico precoce quanto para o tratamento da pré-eclâmpsia. Medindo os níveis de autoanticorpos, os médicos poderão detectar a doença semanas antes que os sintomas apareçam. Além disso, novos medicamentos poderão ser desenvolvidos para inibir a ativação do receptor angiotensina.


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