Medicamentos contra câncer sobem acima da inflação há 20 anos

Preços de medicamentos contra câncer sobem acima da inflação há 20 anos
"Nós constatamos que, quanto maior a melhoria da droga em relação às terapias existentes, mais elevado o preço," explica Berndt. "Assim, o preço está relacionado com a qualidade - mas o preço aumentou mais do que a qualidade."
[Imagem: MIT/iStock]

Os preços dos principais medicamentos contra o câncer têm aumentado a taxas muito acima da inflação ao longo das duas últimas décadas.

E parece não haver razões econômicas que justifiquem tal aumento - os pesquisadores descartaram os comumente alegados custos de pesquisa para justificar os aumentos.

A conclusão é de uma equipe do MIT (EUA), coordenada por Ernst Berndt.

Preço da sobrevida

Desde 1995, um grupo de 58 medicamentos contra o câncer líderes de mercado aumentou de preço em 10% ao ano acima da inflação, e isto descontando os benefícios incrementais para a saúde obtidos com as seguidas gerações desses remédios.

Em 1995, os medicamentos contra o câncer neste grupo custavam cerca de US$54.100 (cerca de R$170.000) para cada ano de vida adicional que se eles trazem aos pacientes; em 2013, essas drogas custavam cerca de US$ 207.000 (R$660.000) por cada ano a mais de vida.

Estes aumentos têm suscitado críticas de médicos e organizações governamentais e não-governamentais ligadas à saúde, que questionam os preços dos principais medicamentos.

Mas os resultados empíricos também mostram, dizem os pesquisadores, que o aumento dos níveis de preços reflete uma maior tolerância social com os custos de saúde. Hoje é comum que a população simplesmente apele à Justiça para que o governo assuma o custo de medicamentos de ponta, que não apresentam ganhos de sobrevida que justifiquem o custo, permitindo que as empresas mantenham suas práticas de elevação de preços.

Aumento de preço, não de qualidade

O estudo identificou uma correlação positiva entre a eficácia das drogas e seus preços: os preços dos medicamentos contra o câncer subiram cerca de 120% para cada ano adicional de vida ganho por um paciente, de forma agregada.

Contudo, não houve um ganho de sobrevida de 120% no mesmo período.

"Nós constatamos que, quanto maior a melhoria da droga em relação às terapias existentes, mais elevado o preço," explica Berndt. "Assim, o preço está relacionado com a qualidade - mas o preço aumentou mais do que a qualidade."


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