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19/05/2012

Há uma preocupação excessiva com os riscos de doenças?

Redação do Diário da Saúde
Há uma preocupação excessiva com os riscos de doenças?
Abordagens reducionistas ligadas à ideologia da cientificidade transformam o conhecimento em mercadoria - uma abordagem cuja função é reger moralmente a conduta das pessoas no contexto do individualismo. [Imagem: Divulgação]

Excessos da prevenção

Três pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, estão propondo uma reflexão crítica sobre os excessos relacionados à prevenção dos riscos na ciência e na saúde.

Luis David Castiel, Javier Sanz-Valero e Paulo Roberto Vasconcellos-Silva defendem seus pontos de vista no recém-lançado livro Das Loucuras da Razão ao Sexo dos Anjos.

A obra aborda a proliferação de estudos científicos sobre fatores de risco, que nutre a angustiante necessidade de prevenir-se constantemente.

Estatística do sexo dos anjos

Os autores descrevem dois estudos: o primeiro, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou cerca de 12 mil pessoas durante mais de 30 anos e concluiu que o risco de um indivíduo se tornar obeso aumenta quando um amigo dele se torna obeso.

O outro estudo, publicado no British Medical Journal, investigou cerca de 5 mil pessoas ao longo de 20 anos e revelou que um indivíduo rodeado por gente feliz tem maior probabilidade de ser feliz no futuro - ou menor risco de ser infeliz.

Segundo Luis Castiel, "o livro é um ensaio baseado em pesquisas bibliográficas e critica um estado de coisas apresentado como adequado a uma situação que a ciência, a tecnologia e a prática encaram como realidade.

"Há problemas na forma como analisam elementos relativos à saúde. Então, fizemos um exercício crítico sobre como a saúde pública utiliza seus instrumentos e práticas para determinar o que é saúde, que não aparece nos pressupostos, nas dimensões ideológicas que estruturam a visão hegemônica existente."

Abordagens reducionistas

O livro aborda a proliferação de estudos científicos sobre fatores de risco.

Segundo os autores, são abordagens reducionistas ligadas à ideologia da cientificidade, na qual o conhecimento se torna mercadoria - uma abordagem cuja função é reger moralmente a conduta das pessoas no contexto do individualismo.

Segundo os pesquisadores, essa ideologia se manifesta na produção frenética de artigos científicos de molde quantitativo, fabricados de modo veloz e em tal quantidade que uma leitura criteriosa é extremamente difícil.

Como desdobramentos, tem-se uma assistência à saúde como uma prática puramente instrumental, desprovida de reflexão teórica, que desloca a responsabilidade pela saúde do âmbito público para o privado.

O livro foi lançado pela Editora Fiocruz.


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