Problemas de saneamento básico aumentam risco de volta do Zika

Problemas de saneamento básico aumentam risco de volta do Zika
As denúncias são encaminhadas para os gestores municipais para que tomem as devidas providências, mas o retorno tem sido baixo.
[Imagem: TV Brasil]

Mosquito dos muitos vírus

O vírus zika apareceu em 2015 como novidade para o brasileiro, mas trouxe para o centro do debate um velho inimigo da saúde pública no país: o mosquito Aedes aegypti.

Antes conhecido como "mosquito da dengue", ele passou a ser ainda mais temido após a descoberta de que também transmite o vírus zika.

Por essa razão, as principais medidas para frear a doença foram focadas no combate ao vetor.

Com a nova ameaça, os recursos federais destinados ao combate ao mosquito foram ampliados, crescendo 39% desde 2010 - de R$ 924 milhões naquele ano para R$ 1,29 bilhão em 2015, segundo o Ministério da Saúde. Para 2016, o valor chegará a R$ 1,87 bilhão.

Entretanto, a falta de saneamento básico aparece, mais uma vez, como complicador para combater o mosquito e penaliza a população que vive em regiões mais pobres e menos atendidas pela rede de esgoto.

Descalabros

Os estados que lideram o ranking da epidemia de zika - Pernambuco, Paraíba e Bahia - apresentam os piores indicadores de saúde, educação e renda, de acordo com o ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). "Dengue, zika e chikungunya estão em contextos de descalabros, onde falta saneamento básico, água potável e coleta de lixo", afirma a médica Jurema Werneck.

"Se em uma palavra a gente pudesse tentar resumir onde o vírus zika poderia ser melhor controlado, eu diria no saneamento básico. Hoje, esse mosquito consegue se reproduzir em águas sujas, então, a forma de você trabalhar isso é você melhorar as condições de vida, é você ter esgotamento sanitário em 100% do país", analisou o infectologista Antônio Bandeira, um dos primeiros médicos a identificar o vírus zika no país.

De acordo com os últimos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o país tem mais de 35 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços de água tratada, metade da população sem coleta de esgoto e apenas 40% dos esgotos são tratados. Na região Nordeste, esse índice é de apenas 28,8%.

Salas de situação

Nas 27 unidades da Federação e em 1.700 municípios foram montadas as chamadas salas de situação para monitorar os focos de proliferação do mosquito. Na sala de situação da Secretaria de Vigilância Epidemiológica da Paraíba, por exemplo, diversas imagens de focos de mosquito chegam a todo instante pelo aplicativo "Aedes na Mira".

"Quando recebemos a denúncia por meio do aplicativo ou da central que funciona aqui na sala de situação, essa denúncia é encaminhada ao gestor municipal da saúde. Por sua vez, a equipe da vigilância ambiental vai até o local da denúncia e faz o tratamento do possível foco", explica Talitha Lira, coordenadora da sala.

As denúncias são encaminhadas para os gestores municipais para que tomem as devidas providências, mas o retorno tem sido baixo. "Não é só a questão do movimento de saúde. É necessário que o recolhimento de lixo esteja adequado, questões de saneamento básico também estejam dentro do esperado para minimizar os riscos da proliferação do mosquito e consequentemente o adoecimento da população", recomenda a gerente executiva da Vigilância em Saúde da Paraíba, Renata Nóbrega.


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