Professores ignoram problemas com a voz

Má avaliação da voz

A voz é um instrumento de trabalho essencial para o professor universitário na sala de aula em reuniões e orientações. Muitos consideram que ela é quase sempre boa, como aponta pesquisa feita com docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. Porém, a avaliação dos especialistas é diferente. O estudo da fonoaudióloga Liliana Amorim Alves revela que 83% dos professores apresentaram vozes desviadas ou ruins, sem se dar conta dos problemas.

A pesquisadora aplicou questionários em 58 docentes da EERP, que fizeram uma auto-avaliação da qualidade da própria voz. Ao mesmo tempo, suas vozes foram gravadas e analisadas por três fonoaudiólogos especialistas, com doutorado na área. "Entre os professores, 49 apontaram que possuem voz boa ou adaptada, sendo que 72,4% a consideram freqüentemente boa", relata Liliana. "Apenas nove entrevistados acharam que sua voz é ruim, e só um disse que ela nunca está boa".

Vozes ruins ou desviadas

A percepção dos especialistas foi completamente diferente. Entre os professores que participaram da pesquisa, 49 tiveram suas vozes classificadas como ruins ou desviadas. Nesse grupo, 69,4% das vozes foram consideradas freqüentemente ruins.

"Os docentes não percebem o desvio vocal, a intensidade muito alta e o desequilíbrio ressonantal", aponta a fonoaudióloga. "Por causa da falta de equilíbrio, a emissão é tensa na boca ou no nariz, comprimida, desagradável, com esforço, flutuações e quebras de freqüência"

Articulação da fala

Também foram encontrados problemas na articulação da fala, considerada imprecisa e travada. "Outro desvio está na coordenação pneumofonoarticulatória do ar expiratório durante a produção de voz", explica Liliana. "Auditivamente, o som vem através da pessoa como um todo e não de alguma estrutura especifica do organismo, o que é inadequado".

Rouquidão

Entre os tipos de vozes desviadas encontradas no estudo estão a rouca, rouco-áspera, rouco soprosa, soprosa (ar não sonorizado nas pregas vocais), sussurrada, trêmula (variações acentuadas, sensação de instabilidade a emissão), bitonal e pastosa. "Neste último caso, ocorre uma redução da ressonância orofaríngea, como se o sujeito falasse com uma batata na boca", exemplifica a fonoaudióloga.

Deterioração da voz com a idade

Entre docentes aposentados, com mais de 50 anos, foram identificadas vozes presbifônicas. "Há uma deteriorização da voz devido a idade, pois o aparelho fonador envelhece", ressalta Liliana. "Essa voz se caracteriza pela redução da freqüência e intensidade, da qualidade de emissão e por quebras constantes de sonoridade".

De acordo com a fonoaudióloga, muitos professores percebem mudanças na voz quando começam a trabalhar, mas as ignoram e não procuram um médico ou um fonoaudiólogo. "Ao se acostumarem, o risco de doenças como fendas glóticas, nódulos, pólipos e cistos aumenta, gerando afastamentos causados pelo mau uso e má qualidade vocal", alerta.

Orientação de fonoaudiólogos

Liliana sugere que durante os cursos de pós-graduação e formação de docentes, os futuros professores recebam orientação de fonoaudiólogos sobre a voz. "Também deve ser pesquisado se a causa do problema vocal é referente aos problemas internos ou externos ligados ao trabalho".

Na pesquisa, os especialistas apontaram que as vozes boas ou adaptadas tinham ressonância equilibrada, freqüência média e velocidade de fala adequada. Um conselho para manter a voz em boas condições é a ingestão constante de líquidos e o consumo de maçãs. "Esta fruta é adstringente, o que faz com que ela lubrifique a prega vocal, evitando pigarros constantes", orienta a fonoaudióloga.


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