Proteína pré-histórica é ressuscitada para agir como antibiótico

Proteína pré-histórica é ressuscitada para agir como antibiótico
Em vez de usar uma abordagem similar à do Parque dos Dinossauros, os cientistas apelaram para a engenharia genética, dispensando o uso de qualquer fóssil.
[Imagem: Wikimedia/Dénes Emoke]

Antibiótico pré-histórico

Biólogos ressuscitaram um composto químico usado pelo sistema imunológico de mamíferos que viveram logo após a extinção dos dinossauros.

Seu objetivo é usar esse composto como um antibiótico para destruir bactérias multirresistentes, contra as quais os antibióticos atuais não são mais eficazes.

Como as bactérias atuais nunca foram expostas a esse composto pré-histórico, elas não desenvolveram resistência a ele.

E os primeiros resultados foram animadores.

Sistema imunológico inato

Os cientistas tentam encontrar novas armas contra as bactérias no sistema imunológico inato - aquele que os bebês nascem com ele, não dependendo ainda de sua exposição ao meio ambiente.

Esse sistema de defesa costuma ser o mais forte possível.

É claro que, no caso destas pesquisas, quando se fala de "bebês", estamos falando de filhotes das cobaias usadas pelos cientistas.

O problema é que os animais com sistema imunológico inato mais forte não são parentes próximos do homem.

Com isto, se os compostos antibacterianos forem retirados dos animais e aplicados no homem, eles tendem a ser tóxicos.

Voltando no tempo

Ben Cocks e seus colegas da Universidade La Trobe, na Austrália, não se deram por vencidos.

Segundo ele, os problemas podem ser superados se conseguirmos retornar no tempo, recuperando o projeto básico do sistema imunológico inato, aquele que já estava presente em uma etapa mais longínqua da evolução.

Mas, em vez de uma abordagem similar à do Parque dos Dinossauros, os cientistas apelaram para a engenharia genética, dispensando o uso de qualquer fóssil.

Bolsa da mamãe

O grupo encontrou um sistema de defesa extremamente forte na bolsa dos cangurus (Macropus eugenii).

O pequeno filhote, quase uma larva, nasce com 26 dias de gestação e vai para a bolsa da mãe.

Mas a bolsa da mamãe-canguru está longe de ser um lugar limpo: os cientistas encontraram lá até mesmo as bactérias multirresistentes que infestam muitos hospitais.

E, como nasce tão rapidamente, o filhote de canguru ainda não possui um sistema imunológico adaptativo, devendo contar unicamente com o seu sistema imunológico inato para se defender nesse ambiente pouco higiênico.

Engenharia genética reversa

Depois de muito procurar, Cock e seus colegas encontraram no filhote de canguru um gene que codifica 14 peptídeos conhecidos como catelicidinas - um componente do seu sistema imunológico inato.

A equipe percebeu que os genes em cinco das catelicidinas eram incrivelmente similares, o que aponta, segundo eles, para um ancestral comum. "Nós imaginamos que a forma ancestral deveria ter uma atividade de largo espectro," contou o cientista.

Usando as diferenças entre os cinco peptídeos, os cientistas fizeram uma engenharia genética reversa, voltando no tempo para descobrir a sequência genética do peptídeo original.

Finalmente, eles conseguiram produzir uma versão sintética desse peptídeo original, efetivamente "ressuscitando" um composto já deixado para trás pela evolução.

Antibiótico ressuscitado

Os cientistas calculam que sua versão sintética deve corresponder à defesa usada pelos mamíferos há 59 milhões de anos, quando eles ainda estavam começando a dominar a Terra, depois da extinção dos dinossauros.

"O mais incrível de tudo é que o peptídeo funcionou bem contra uma grande quantidade de patógenos," disse o cientista.

Os testes de laboratório confirmaram que o composto pré-histórico ressuscitado destruiu seis das setes bactérias multirresistentes conhecidas.

O composto mostrou-se de 10 a 30 vezes mais potente do que os antibióticos modernos, como a tetraciclina.

Os cientistas ainda não fizeram testes sobre a toxicidade do novo composto em humanos.


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