Proteína príon está ligada à memória e à plasticidade cerebral

Proteína príon está ligada à memória e à plasticidade cerebral
A proteína príon celular PrPC tem papel importante na proteção dos neurônios contra a morte celular e na plasticidade cerebral.
[Imagem: Cortesia de Norifumi Yamamoto/Gifu University]

Proteína príon

Uma pesquisa liderada por cientistas brasileiros sobre a proteína príon celular (PrPC) é destaque na edição a ser publicada nesta semana da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Associada inicialmente a doenças neurodegenerativas (como a conhecida doença da vaca-louca), a PrPC tem sido apontada como participante importante em muitas outras funções fisiológicas.

A PrPC tem papel importante na proteção dos neurônios contra a morte celular e na plasticidade dessas células, ao atuar na formação de neuritos (prolongamento dos neurônios).

Memória e sistema nervoso

A nova pesquisa apontou que a PrPC tem outro papel fundamental no organismo: o de induzir a síntese de proteínas. Isso ocorre quando ela se une a um de seus ligantes, a proteína STI1.

"Essa síntese é um processo muito importante para a formação da memória e para o desenvolvimento do sistema nervoso", disse Glaucia Noeli Maroso Hajj, pesquisadora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo, uma das autoras do artigo.

Outra descoberta foi que esse processo de indução na produção de proteínas fica comprometido em caso de doenças provocadas pela versão tóxica de PrPC.

"Nos casos em que os neurônios eram infectados com a versão infecciosa de PrPC não observamos o aumento na produção de proteínas", disse Glaucia.

Plasticidade neuronal

Os autores mostraram que as funções desempenhadas por PrPC, como a proteção dos neurônios contra a morte celular e o aumento da plasticidade neuronal dependem do aumento da síntese de proteína.

O efeito sobre a plasticidade é decorrente da necessidade que os neurônios têm de novas proteínas para construir os neuritos, segundo explicou a professora Vilma Regina Martins, também do Instituto Ludwig, outra autora do artigo.

Segundo Vilma, durante a pesquisa foram observados indícios de que o aumento na produção de proteínas ocorreria justamente nas extremidades dos neurônios. Embora ainda não se saiba quais sejam exatamente as proteínas sintetizadas no processo, esse trabalho pode ser considerado um importante avanço no conhecimento sobre as funções celulares de PrPC e do mecanismo das enfermidades causadas por sua forma anormal.

"Até então, conhecíamos algumas sinalizações iniciais que promoviam a sobrevivência do neurônio, mas não sabíamos como essas sinalizações eram encaminhadas", afirmou.

Câncer

Outro resultado importante do artigo foi demonstrar que PrPC e STI1 ativam a via de transdução de sinal de mTOR. A via de transdução de sinal é uma ativação sequencial de proteínas que entram em ação em cadeia.

Como a mTOR está relacionada a alguns tipos de câncer, o seu inibidor, a rapamicina, está sendo testada em ensaios clínicos para diversos tipos de câncer.

O funcionamento da PrPC no câncer é um tema que a equipe de Glaucia pretende estudar. "Será que uma maior quantidade de PrPC em tumores indicaria uma melhor resposta à rapamicina? Essa é uma das perguntas que tentaremos responder", disse.

Além das pesquisadoras do Ludwig, participaram da pesquisa Martin Roffé e Beatriz Castilho, da Universidade Federal de São Paulo.


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