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28/07/2016

Proteína do soro de leite protege intestino contra dieta gordurosa

Com informações da Agência Fapesp
Proteína do soro de leite protege intestino contra dieta gordurosa
A proteína do soro de leite, também conhecida com whey, protege intestino contra efeitos de dieta gordurosa.[Imagem: Wikimedia Commons]

Whey

Velha conhecida dos frequentadores de academias de ginástica pelo nome em inglês, whey, e amplamente comercializada como suplemento para ganho de massa muscular, a proteína do soro do leite pode ser importante também como proteção contra os efeitos adversos da ingestão de alimentos gordurosos na microbiota intestinal.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) constaram isto ao estudar os efeitos de diferentes proteínas nas populações de bactérias dos intestinos levando em conta as dietas.

"Já se sabia que quantidades e tipos diferentes de gordura ingerida alteravam de formas diversas a composição das populações de microrganismos que povoam o intestino dos animais, predispondo o hospedeiro a processos inflamatórios que podem levar à obesidade e a outras doenças crônicas. O que não se sabia era que o tipo de proteína na dieta também teria um papel decisivo, permitindo ou resistindo às alterações da microbiota intestinal," conta o pesquisador Jaime Amaya Farfan.

Inversão de bactérias

O estudo mostrou que, enquanto a caseína - outra proteína derivada do leite, mas de lenta digestão e absorção - pode permitir o desarranjo da microbiota normal do intestino causado por uma dieta rica em gordura, a proteína do soro conferiu aos animais de laboratório a capacidade de resistir aos efeitos dessa dieta.

Entre as principais alterações induzidas pelo excesso de gorduras na dieta está a inversão da predominância dos dois filos de bactérias mais comuns no intestino: Bacteroidetes, presentes em maior quantidade na microbiota normal, e Firmicutes, dominantes em obesos.

Os pesquisadores comprovaram que o consumo de uma dieta gordurosa, composta por alimentos ricos em caseína, como o queijo, ao longo de nove semanas resultou na elevação de lipopolissacarídeos sanguíneos, moléculas relacionadas ao desenvolvimento de doenças crônicas intestinais, no aumento do acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) e na inversão da quantidade dos filos predominantes, favorecendo o Firmicutes.

Em contraste, quando a dieta gordurosa foi administrada em conjunto com a proteína do soro de leite, a presença de lipopolissacarídeos e biomarcadores de inflamação e a esteatose hepática permaneceram significativamente baixas, impedindo a inversão dos filos.

"Esse contraste de efeitos das duas principais classes de proteínas do leite, a caseína e a whey, foi uma surpresa, mas pode ser explicado como sendo resultado da formação de peptídeos típicos de cada uma delas durante a digestão. No caso da proteína do soro, estudos anteriores mostraram que certos peptídeos presentes possuem propriedades como aumento da captação de glicose pelas células musculares, maior expressão de proteínas antiestresse em roedores e até uma possível proteção contra as microlesões musculares em jogadores de futebol submetidos a treinos intensos", disse Farfan.


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