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03/05/2012

Publicado estudo sobre mutação do vírus da gripe aviária

Redação do Diário da Saúde

Críticas

Depois de um longo e inusitado debate sobre dois estudos que mostram como o vírus H5N1, da gripe aviária, pode se tornar transmissível em mamíferos, um dos estudos foi integralmente publicado hoje (3 de maio 2012) na revista Nature.

Um painel de especialistas do governo norte-americano tentou impedir a publicação alegando risco de bioterrorismo. Foi uma das primeiras tentativas de censura à ciência a vir à tona e alcançar o debate público.

Tanto a revista Nature quanto a Science recusaram-se inicialmente a publicar os artigos.

A própria Organização Mundial da Saúde criticou duramente os cientistas que criaram o vírus mutante da gripe aviária.

Segundo a OMS, esse tipo de pesquisa deveria ser feito "apenas depois que tiverem sido identificados todos os riscos à saúde pública e benefícios importantes" e "houver a certeza que as proteções necessárias para minimizar o potencial para consequências negativas estejam em vigor".

Em Fevereiro deste ano, a organização tentou mais uma vez impedir a publicação:

Defesa

Mas especialistas em saúde pública e cientistas acabaram concordando que a publicação seria não apenas importante, mas essencial para a vigilância da gripe estar pronta para um vírus que pode evoluir naturalmente para se tornar infeccioso entre humanos e causar uma pandemia global.

O que os cientistas fizeram foi induzir essas mutações do vírus em laboratório - ou seja, a pesquisa resultou nesse tão temido vírus, que consegue passar de humano para humano - na verdade, a transmissibilidade é maior, podendo se dar entre mamíferos em geral.

"Nosso estudo mostra que relativamente poucas mutações de aminoácidos são suficientes para um vírus com uma hemaglutinina H5 aviária adquirir a capacidade de transmissão entre mamíferos," afirmou Yoshihiro Kawaoka, um dos autores do estudo agora publicado.

"Este estudo traz benefícios significativos à saúde pública e contribui para o nosso entendimento deste importante patógeno. Ao identificar mutações que facilitam a transmissão entre mamíferos, aqueles cujo trabalho é monitorar vírus circulantes na natureza podem procurar por essas mutações, tomando medidas para efetivamente proteger a saúde humana," completou.

Kawaoka adverte que podem haver outras mutações desconhecidas que também permitam que o vírus seja transmitido entre mamíferos.

Este argumento é feito na defesa da continuidade das pesquisas, que poderiam ser interrompidas por cortes nas verbas governamentais.

Híbrido dos vírus H1N1 e H5N1

Desde o final de 2003, os vírus H5N1 já infectaram pelo menos 600 pessoas, a maioria na Ásia, e matou mais da metade das pessoas infectadas - uma virulência sem precedentes.

Mas o vírus, que até agora só podia ser adquirido através do contato próximo com aves domésticas, não era transmissível de humano para humano.

Agora é, pelo menos nos laboratórios participantes da pesquisa, que afirmam estar seguindo todos os protocolos de segurança para que o vírus não escape para a natureza.

Se o vírus H5N1 atualmente em circulação no mundo pode de fato adquirir as mutações adicionais necessários para causar uma pandemia é uma questão em aberto, de acordo com Kawaoka: "É difícil prever. As mutações adicionais podem emergir conforme o vírus continua a circular."

O vírus híbrido transmissível entre mamíferos foi feito através da montagem do gene hemaglutinina do vírus H5N1 no vírus da gripe H1N1; o híbrido H5-H1N1 parece ser menos patogênico do que o vírus H1N1, segundo os cientistas.


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