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14/01/2013

Melhor qualidade de vida pode evitar as dores crônicas

Com informações da Agência Brasil

Não forçar o corpo

Qualidade de vida é a receita para que as pessoas possam se prevenir e evitar as chamadas dores crônicas.

O percentual médio de pessoas afetadas por algum tipo de dor crônica no Brasil varia de estado para estado e pode ser de 15% a 40% da população. Estudos revelam que em São Luís (MA), por exemplo, o índice de queixas de dores crônicas chega a 47%, enquanto em Salvador (BA), chega a 41% e em São Paulo, fica entre 30% e 40%.

Entre a população mundial, de 20% a 30% sofrem com essas dores.

A recomendação é que as pessoas não tenham sobrepeso para não sobrecarregar as articulações e aumentar a possibilidade de ter artrose, dor articular, dor lombar.

"Se você mantém o seu peso adequado, se mantém atividade física, boa alimentação, pode evitar a dor crônica," explica a neurologista Norma Fleming, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Tipos de dores crônicas

Os tipos mais comuns de dor crônica são as lombalgias, cefaleias e dores neuropáticas.

De modo geral, a dor da artrose é mais comum nos idosos do que nos jovens, à exceção de pessoas jovens que pratiquem esportes de alta performance, como atletismo. "Esse vai ter artrose e vai ter dor. Ele convive com dor o tempo inteiro".

Em compensação, as enxaquecas (dores de cabeça contínuas e persistentes) costumam acometer os jovens na faixa dos 20 aos 40 anos, "quando começa a cair a atividade produtiva".

Nessa mesma faixa etária se inserem as lombalgias, em especial entre os 30 e os 50 anos.

Analgésico não cura dor crônica

Uma das principais características da dor crônica é que o quadro não se resolve com analgésicos comuns.

Segundo Norma, o paciente necessita ser tratado por uma equipe multidisciplinar, que inclua fisioterapeutas e médicos da dor, além de psiquiatras e psicólogos para tratar a parte emocional.

De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor (Iasp), uma melhora de 40% no nível de dor crônica já é considerada uma grande melhora.

"Em muitos casos, a gente não consegue tirar a dor, mas consegue causar alívio," diz Norma.

A neurologista defende a educação continuada para médicos que queiram aprender a tratar da dor, e a melhoria da qualidade da medicação disponível para os pacientes, tendo em vista o seu custo, em geral bastante elevado.

"Quanto mais você ensina, melhor as pessoas vão tratar. Educação é a condição básica para melhorar o atendimento", aconselhou.

Dor aguda e dor crônica

Segundo a Dra. Norma, falta capacitação dos médicos para lidar com pacientes com dores crônicas.

"O paciente com dor crônica é diferente do paciente com dor aguda," afirma.

A dor aguda é um fenômeno importante para o corpo humano, "porque é um sinal de alarme para nos manter vivos". As dores agudas podem resultar de fraturas, por exemplo, de um infarto do miocárdio, de peso excessivo que a pessoa carrega.

"Já a dor crônica é aquela em que ela passa a ser a doença. Ela não é sintoma de infarto ou de fratura. É a perpetuação de um estímulo e perde a função de alarme. É um fenômeno complexo, porque gera alteração emocional e cognitiva".

Dor emocional

Norma lembrou que o fator emocional faz parte do fenômeno da dor, embora não seja a causa principal.

"É raro a gente pegar alguém na Clínica da Dor que tenha uma dor emocional. Mas é muito comum a gente ter um paciente que está com dor crônica e que ficou, por conseguinte, com uma alteração emocional. Ou, então, tem dor crônica, passa por um problema emocional e a dor piora muito, porque a emoção faz parte da fitopatologia".

"Essas dores que são altamente incapacitantes, se não forem tratadas adequadamente, pegam as pessoas em plena fase produtiva. Elas devem ser tratadas adequadamente, para [mandar] essa pessoa o mais rápido possível de volta ao trabalho," aconselha.

Se a volta à atividade que a pessoa exercia não for possível, a função deverá ser adaptada, sugeriu. "Não deixar a pessoa cair naquela situação de não poder trabalhar". Nesse caso, a readaptação de função é saudável para o paciente.

A médica adverte, no entanto, que, no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pode haver pessoas que manipulem os sintomas da dor. Somente exames multidisciplinares podem comprovar se aquela dor crônica alegada existe de fato ou não.


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