Quando o espelho se torna um inimigo

Quando o espelho se torna um inimigo
Bernard Lambert
[Imagem: Kieron O’Connor]

Espelho, espelho meu...

O nariz que é muito grande, o cabelo que não é liso o suficiente ou uma marca no lugar errado - quem nunca prestou atenção em um pequeno detalhe de sua aparência enquanto se olhava no espelho?

Mas quando essas imperfeições tomam conta dos seus pensamentos ou existem apenas em sua cabeça - esses são sinais de que essa obsessão é um distúrbio, afirma o psiquiatra Kieron O'Connor, da Universidade de Montreal, no Canadá.

Síndrome do espelho

Segundo ele, esse tipo de fobia é mais comum entre as pessoas que já sofrem algum tipo de ansiedade. "[Pessoas que têm esse distúrbio] estão convencidas de que uma parte do seu corpo é anormal, o que não é o caso. Eles têm dificuldade em separar o que é real do que não é," explica ele.

E não tem nada a ver com vaidade, insiste O'Connor. É um pouco como a hipocondria, quando as pessoas estão convencidas de que estão doentes ou podem adoecer, ou a anorexia, que nasce de uma imagem ruim que se tem do próprio corpo.

Visão deformada de si mesmo

Pessoas que sofrem dessa fobia irão se concentrar nos atributos físicos que eles considerados falhos, olhando-os constantemente no espelho ou pedindo a opinião de outras pessoas.

"É como se essas pessoas estivessem olhando para si mesmas em um espelho que deforma sua imagem," diz O'Connor. "Eles entram em uma conversa interna e convencem a si mesmos de que há um problema com seus corpos, embora isso não se baseie na realidade. Eu tenho visto pessoas que têm problemas físicos flagrantes, mas que estão preocupadas com um aspecto totalmente diferente de sua aparência."

Pele, cabelo e nariz

Em sua pesquisa, O'Connor detectou que a maior atenção dos portadores da síndrome do espelho se concentra na pele (73%), enquanto o tronco recebe a menor atenção (21%). O cabelo, nariz e estômago também são alvos populares da obsessão.

O enfoque recomendado por O'Connor para o tratamento da fobia é primeiramente procurar pelas razões pelas quais uma pessoa começa a criticar uma parte do seu corpo. É difícil apontar a fonte exata - se genética, influências dos pais ou estresse - mas as conseqüências são sérias, chegando até ao suicídio.

"Esse problema pode afetar todos os aspectos da vida, trabalho, estudos, amor e relacionamentos familiares," diz ele. "Ele pode fazer com que uma pessoa deixe de sair de casa ou, no mínimo, levar a que a pessoa disfarce a parte do corpo com a qual ela está preocupada."


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