Quatro tipos do vírus da dengue já circulam em São Paulo

Já circulam os quatro sorotipos do vírus da dengue na região macropolitana de São Paulo.

Isto indica que há o que os especialistas chamam de "hiperendemicidade" da doença no Estado de São Paulo.

Além disso, já há casos de infecção por dois destes sorotipos ao mesmo tempo, o que pode estar envolvido em manifestações graves da doença.

Com esta situação, semelhante ao que acontece na Ásia, o risco de infecção em crianças aumenta.

As constatações são de uma pesquisa feita no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí, Prefeitura Municipal de Jundiaí, Prefeitura Municipal do Guarujá e um laboratório particular da região.

"É a primeira vez que uma cidade do tamanho de São Paulo enfrenta este tipo de situação. A maior cidade do hemisfério sul agora tem os quatro sorotipos da dengue. Isso não é uma boa notícia", explica Paolo Zanotto, professor do Departamento de Microbiologia da USP.

Hiperendemicidade

O estado de hiperendemicidade ocorre quando existe a cocirculação de todos os sorotipos do vírus em alta prevalência infectando pessoas em uma área.

No caso da dengue, hoje cocirculam na região paulista todos os tipos encontrados no País: o DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Esta situação é mais grave quando se dá em áreas populosas, como é o caso de São Paulo.

A constatação levou os pesquisadores a anteverem uma possível mudança de perfil epidemiológico dos afetados pela dengue. Devido ao acúmulo de imunidade contra vários sorotipos do vírus em pessoas mais velhas, os jovens podem se tornar a faixa etária que mais manifesta a doença.

Segundo Zanotto, a situação é semelhante à da Ásia, onde o perfil epidemiológico também mudou em 1950.

Agora, o professor avalia que o único modo de controlar o surto nas próximas semanas seria a queda da temperatura ambiental, que reduziria a taxa de reprodução do mosquito Aedes aegypti, o vetor do vírus. Mesmo com a estiagem que São Paulo enfrentou neste primeiro semestre, "[o mosquito] consegue infestar locais de menor precipitação", comenta ele.


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