Radicais livres podem não ser responsáveis pelo envelhecimento

Radicais livres podem não ser responsáveis pelo envelhecimento
Recentemente se descobriu que os radicais livres são benéficos para a cura de ferimentos. O Dr. James Watson, ganhador do Prêmio Nobel pela descoberta do DNA, já defende há tempos que os radicais livres não são responsáveis pelo envelhecimento.
[Imagem: Wikipedia]

Proteínas e radicais livres

Mais um estudo científico vem-se somar ao grande corpo de evidências obtidas nos últimos anos que ajuda a desmistificar o papel excessivamente negativo atribuído aos radicais livres - e, por decorrência, no exagero nos benefícios dos antioxidantes.

Por muito tempo os cientistas acreditaram que os radicais livres causassem estragos por danificar as proteínas e prejudicar o desempenho de suas funções.

Mas agora se demonstrou que as proteínas podem sobreviver incólumes aos radicais livres, contestando a teoria mais popular sobre o porquê de os nossos corpos se deteriorarem com a idade.

"Claramente, a célula pode lidar com a presença dos radicais livres," explica Helena Cochemé, do Conselho de Pesquisas Médicas do Reino Unido. "Nossos resultados são surpreendentes, e vão contra [a ideia predominante neste campo]."

Teoria dos radicais livres

A ideia de que o acúmulo de radicais livres ao longo do tempo está por trás dos efeitos do envelhecimento foi sugerida pela primeira vez na década de 1950, e recebeu muita atenção desde então.

A teoria propõe que os radicais livres causam danos porque eles têm muita energia ou, algumas vezes, muito pouca energia. Dentro das nossas células, eles tentam equilibrar seus níveis de energia capturando energia extra, ou despejando seu excesso de energia, nas desavisadas proteínas.

Os radicais livres tentam chegar ao equilíbrio movendo elétrons, que têm cargas elétricas negativas. Se uma proteína perde um elétron - diz-se então que ela foi oxidada -, ela pode se tornar incapaz de desempenhar a sua função habitual. Embora nossas células possam inicialmente reparar esse dano, pensava-se que elas perdiam a batalha com o aumento de radicais livres à medida que envelhecemos.

Por que envelhecemos?

Cochemé e seus colegas analisaram centenas de proteínas em animais de laboratório, do nascimento ao fim da vida, para identificar quais dessas proteínas passariam pelo processo de oxidação conforme a idade avança.

"O que é realmente surpreendente é que o estado de oxidação das proteínas foi o mesmo, tanto nas moscas jovens, quanto nas velhas. Isto sugere que as células têm um sistema de proteção incorporado," defende Cochemé.

As moscas-da-fruta e outros animais de vida curta são preferidos nesse tipo de estudo por permitir o acompanhamento de várias gerações em pouco tempo.

O estudo dá mais peso ao argumento de que os radicais livres não são inteiramente responsáveis pelo envelhecimento.

"Nós temos que voltar à prancheta para descobrir o mecanismo subjacente ao envelhecimento," finalizou a pesquisadora, cujo trabalho foi publicado na revista Cell.


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