Radiofármaco usado em medicina nuclear está em falta no mundo

Radiofármaco usado em medicina nuclear está em falta no mundo
O tecnécio é utilizado em 80% dos diagnósticos em medicina nuclear em áreas como cardiologia e tratamentos de câncer.
[Imagem: Renier Maritz]

Fornecimento de radiofármaco

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT) realizou no final da semana passada uma reunião no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, para tratar da crise no fornecimento de geradores de tecnécio, radiofármaco utilizado em cerca de 80% dos exames diagnósticos em medicina nuclear em áreas como cardiologia e oncologia.

O problema deve-se à carência de molibdênio-99, matéria-prima utilizada para produzir os geradores. O produto é obtido a partir de reatores nucleares de pesquisa.

O Brasil consome cerca de 5% da produção mundial de molibdênio-99, ao custo de US$ 20 milhões ao ano. O País compra o produto da empresa canadense Nordium, vencedora de licitação internacional que comercializa o molibdênio proveniente do Canadá. A matéria-prima é produzida em apenas quatro reatores: o NRU, no Canadá; o HFR-Petten, na Holanda, o Safári, na África do Sul e o BR2, na Bélgica.

Parada de reatores nucleares

A crise foi deflagrada com a parada do reator canadense, desde maio último e a previsão é de que a instalação volte a operar apenas no fim do ano. O reator da Holanda também está inoperante. Juntos, esses dois reatores respondem por 64% da produção mundial e a parada de um ou mais deles causa um efeito devastador no atendimento à demanda deste produto, explica o superintendente do Ipen Nilson Dias Vieira Júnior.

Desde o início de junho o País vem recebendo quantidade de molibdênio da Argentina, capaz de suprir 30% das necessidades nacionais. Aquele país apenas fabrica o produto para seu mercado interno e a sua aquisição foi conseguida em tempo recorde, contando com a colaboração da Comissão de Energia Atômica da Argentina.

Ação conjunta

A reunião realizada no Ipen objetivava sincronizar ações entre o instituto, a Cnen e a classe médica. O presidente da Cnen Odair Dias Gonçalves apontou as alternativas que têm sido buscadas pela equipe de crise, procurando encontrar soluções para minimizar os impactos para os milhares de pacientes que dependem dos exames.

Foram estabelecidos contatos com outros países, para uma possível importação do produto, entretanto, as perspectivas são limitadas, pela restrição do número de reatores em produção mundial. A África do Sul sinalizou com a possibilidade de fornecimento de quantidade equivalente a um terço das necessidades do Brasil, a um preço 50% acima do praticado pela Nordium e com pagamento adiantado. Mesmo aceitando todas essas condições, esta semana o reator sul-africano não dispunha do material para a aquisição pelo Ipen.

Produto nacional de radiofármacos

A produção no País e a compra de outros radiofármacos que possam substituir exames em que o tecnécio é utilizado, como o tálio e gálio, também é uma das alternativas. O Ipen está em contato com Israel para aquisição de tálio-201 e gálio-67, mesmo que a preço 50% maior que o praticado pela Nordium. Esta empresa tem fornecido tálio, porém em quantidade inferior à demanda, que cresceu em pelo menos dez vezes desde o início da crise.

Para que o Ipen produza também gálio e tálio são necessários alguns rearranjos de produção, já que os cíclotrons (equipamentos utilizados na produção) estão dedicados a produção de outros radiofármacos também essenciais.

Geradores de tecnécio

Gonçalves anunciou que na quarta-feira (5), reunir-se-ão representantes da presidência da República, ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), Saúde (MS) e das Relações Exteriores (MRE), para discutir aspectos emergenciais desta crise.

Também serão estudados critérios para distribuição dos geradores de tecnécio - hoje enviados a cerca de 300 centros de medicina nuclear do País em quantidade proporcional à produção de um terço da demanda histórica.


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