Reator brasileiro fará radiofármacos para diagnóstico do câncer

Reator brasileiro fará radiofármacos para diagnóstico do câncer
"A função do reator, em si, é muito social. Um dos pontos de destaque é a produção de radioisótopos para a Medicina Nuclear, como o molibdênio-99."
[Imagem: Unicamp]

O Brasil poderá se tornar autossuficiente na produção de radiofármacos empregados em tratamentos e diagnósticos médicos.

Em 2009, a paralisação de um reator canadense que é o principal fornecedor do Brasil, juntamente com a interrupção de funcionamento de reatores na Bélgica e na Holanda, gerou uma crise mundial no fornecimento desses medicamentos, usados sobretudo no diagnóstico e tratamento do câncer.

Reator Multipropósito Brasileiro

A autossuficiência nacional deverá vir com a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que será construído em Iperó, no interior do estado de São Paulo.

Reunidos na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os pesquisadores envolvidos no projeto ressaltaram a importância do empreendimento para a sociedade brasileira, além de abrir oportunidades de pesquisas e inovações tecnológicas nacionais.

O RMB (Reator Multipropósito Brasileiro) está sendo desenvolvido em parceria com a Argentina e terá um índice de nacionalização de cerca de 70%.

Orçado em US$ 500 milhões, o reator deverá ficar pronto no prazo de cinco anos, instalado em uma área de dois milhões de metros quadrados ao lado do Centro Experimental de Aramar (CEA), da Marinha do Brasil, na região de Sorocaba.

O coordenador técnico do RMB, José Augusto Perrotta, destacou que "a função do reator, em si, é muito social. Um dos pontos de destaque é a produção de radioisótopos para a Medicina Nuclear, como o molibdênio-99, que é o principal radioisótopo usado", afirma Perrotta.

Radiofármacos

Produto da fissão do urânio-235, o molibdênio-99 é a matéria-prima empregada na produção de outro isótopo radioativo, o tecnécio-99.

No Brasil são realizados por ano cerca de dois milhões de procedimentos de diagnóstico médico com tecnécio-99. O país, no entanto, importa todo o molibdênio-99 necessário para esses procedimentos, ao custo anual de US$ 10 milhões.

Parte da infraestrutura associada ao novo reator de pesquisa será composta por laboratórios, que executarão os objetivos do empreendimento, tais como: a produção de radioisótopos e de fontes radioativas usadas em aplicações na indústria, na agricultura e no meio ambiente; a realização de testes de irradiação de combustíveis nucleares e de materiais estruturais; e a condução de pesquisas com feixes de nêutrons em várias áreas do conhecimento, entre elas a análise de materiais.


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