Rede Zika define prioridades e estratégias de pesquisa

Respostas científicas

Cerca de 50 pesquisadores do estado de São Paulo se reuniram na sede da FAPESP com o objetivo de desenvolver um plano para a Rede de Pesquisa sobre zika.

No encontro, foram elencadas as questões mais relevantes a serem respondidas pelos cientistas.

"A intenção é estruturar melhor a rede para que o trabalho de cada participante ajude os demais a avançar mais rapidamente. E também entender quais são as perguntas científicas prementes, para as quais o apoio tem de ser emergencial", ressaltou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Perguntas sem respostas sobre zika

Um dos pontos mais destacados pelos pesquisadores foi a necessidade de desenvolver um exame sorológico capaz de identificar, em poucas horas, a presença de anticorpos contra o vírus zika em amostras de sangue.

Esse tipo de exame é capaz de mostrar se um indivíduo já foi infectado pelo vírus mesmo após passada a fase aguda da doença. Os testes sorológicos hoje disponíveis podem dar um resultado falso-positivo caso o indivíduo já tenha sido infectado pelo vírus da dengue, pertencente à mesma família dos flavivírus.

Esse teste é essencial para responder a outras questões estratégicas para qualquer plano de ação:

    qual é exatamente o tamanho da epidemia (discriminando casos de dengue e zika com mais precisão, tanto dos surtos atuais como passados)? Qual é a porcentagem de gestantes no grupo de infectados? E, entre as gestantes, quantas terão bebês com problemas neurológicos decorrentes da infecção congênita?

Exames para detectar zika

O grupo da pesquisadora Clarisse Machado, do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, já conseguiu avanços na realização de uma reação sorológica conhecida como Western-blot.

"Identificamos um padrão específico do vírus zika, sem cruzar com o vírus da dengue. Estamos num bom caminho, mas ainda trabalhamos com o antígeno bruto do vírus. O resultado deverá ficar melhor quando tivermos acesso a antígenos recombinantes, que são mais puros e mimetizam melhor as condições existentes no organismo", comentou Clarisse.

Sintetizados artificialmente a partir de genes clonados, os antígenos recombinantes do vírus zika - que poderão ser úteis para o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos - têm sido um dos focos do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, sob coordenação de Luís Carlos de Souza Ferreira.

Outros grupos já conseguiram fazer a identificação de anticorpos específicos contra o vírus zika por um método conhecido como imunofluorescência, que embora seja útil no âmbito da pesquisa acadêmica, não serve como método diagnóstico para a saúde pública, pois requer cultivo de células e o resultado demora cerca de sete dias para ficar pronto.

Testes moleculares do tipo PCR em tempo real, capazes de diagnosticar em poucas horas o DNA do vírus em secreções corporais na fase aguda da doença, já foram desenvolvidos por diversas equipes da rede, entre elas a da professora Clarice Arns, da Unicamp, de José Eduardo Levi, da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo.

Os testes de PCR já estão operacionais, tendo sido utilizados, por exemplo, para identificar o primeiro caso de transmissão de zika por transfusão sanguínea, ocorrido em Campinas (SP).

"Contudo, esses testes não são capazes de identificar uma pessoa que já teve a doença após passada a fase aguda", contou Clarisse.

"Nós temos apenas fragmentos de informação e precisamos montar o todo. Qual é o tamanho dessa epidemia? Enquanto não respondermos esta pergunta, todo o resto vai ser um trabalho deducionista", disse Eduardo Massad, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP.


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