Resíduos de quimioterapia podem afetar saúde e ambiente

Quimioterapia no ambiente

Resíduos das drogas anticâncer utilizadas nos tratamentos de quimioterapia podem causar alterações genéticas em animais e humanos mesmo nos níveis ambientais hoje considerados seguros.

Segundo uma equipe de especialistas que analisou o assunto a pedido da União Europeia, o monitoramento ambiental deve ser o primeiro passo para reduzir esse risco potencial.

O risco à saúde de humanos e animais representado pelos resíduos farmacêuticos no ambiente tem sido reconhecido por mais de 30 anos.

Até agora, porém, as preocupações vinham se centrando nos antibióticos - que podem induzir a resistência das bactérias prejudiciais - e dos disruptores endócrinos - que podem alterar a ação de hormônios no corpo humano.

No entanto, muito pouco se sabe sobre os efeitos dos fármacos de quimioterapia utilizados no tratamento do câncer, que são considerados pelos especialistas como "extremamente potentes".

Citostáticos

Os fármacos citostáticos - que inibem o crescimento e a multiplicação das células - são projetados para atacar o DNA das células cancerosas. Então, o que acontece quando eles entram no meio aquático, depois de passarem pelo sistema de esgotos?

Esta foi a questão abordada pelo projeto Cytothreat, financiado pela União Europeia, que reuniu químicos e biólogos de sete países.

Ocorre que os medicamentos citostáticos podem prejudicar também as células normais, explica a Dra Metka Filipi, coordenadora da equipe: "As quantidades utilizadas na área da saúde são muito pequenas em comparação com muitas outras drogas, mas os efeitos genotóxicos não têm um limite, por isso mesmo uma pequena concentração pode induzir danos no DNA que podem levar a efeitos adversos."

"Os citostáticos devem ser incluídos na lista de compostos prioritários de preocupação," acrescentou. "Um programa deve ser introduzido para monitorar sua ocorrência no ambiente porque há realmente muito, muito poucos dados sobre este assunto."

Quimioterapia nas águas servidas

Como recomendação mínima para uma regulamentação do problema por parte das autoridades de saúde, a equipe recomenda que os hospitais removam os resíduos dos quimioterápicos de suas águas residuais.

Contudo, a equipe reconhece que, conforme mais e mais medicamentos citostáticos podem ser receitados para uso em casa, é difícil avaliar como os resíduos possam ser retirados do sistema de esgotos em geral sem investimentos muito elevados.


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