Resistência aos antibióticos: novas gerações, práticas novas

Resistência aos antibióticos: novas gerações, práticas novas
A população em geral continua mal informada sobre aspectos básicos relacionados com o modo de funcionamento dos antibióticos. A saída pode ser educar as crianças.
[Imagem: IBMC.INEB]

Educação sobre antibióticos

A disseminação da resistência bacteriana a antibióticos constitui um problema crescente de saúde pública, que exige esforços concertados ao nível do desenvolvimento de intervenções educativas destinadas a sensibilizar o público e promover a utilização correta de antibióticos.

Vários programas educativos e recursos didáticos têm sido desenvolvidos em diversos países. Contudo, ainda não existem indicadores consistentes da eficácia da maioria destes recursos.

Além disso, estudos revelam que a população em geral continua mal informada sobre aspectos básicos relacionados com o modo de funcionamento dos antibióticos e adota frequentemente comportamentos errados.

Letramento científico

Considerando que os programas destinados à população mais jovem podem contribuir para o "letramento científico" de uma geração futura de utilizadores de antibióticos, um grupo de investigadores da Universidade do Porto, em Portugal, desenvolveu, implementou e avaliou um projeto para estimular o interesse dos mais jovens e promover a sua conscientização acerca das consequências da resistência a antibióticos.

"Estávamos interessados em incentivar o interesse dos alunos e promover o raciocínio científico sobre os processos envolvidos na resistência a antibióticos e na atividade de antibióticos naturais, estimulando a ligação entre os fenômenos observados e as ideias subjacentes," conta Maria João Fonseca, uma das pesquisadoras envolvidas neste estudo.

"Verificamos que, através da combinação de diferentes atividades, desde exercícios de bioinformática até a testes de antibióticos naturais, é possível superar preconceitos, aumentar o conhecimento dos alunos e promover o desenvolvimento de competências".

Fernando Tavares, responsável pelo projeto, acrescenta que "este estudo evidencia os benefícios que advêm da incorporação de atividades práticas em programas de educação em ciência. Acreditamos que os dados recolhidos ilustram a forma como os ambientes de aprendizagem informal como o proporcionado pela Universidade Júnior, podem ter um impacto efetivo e mensurável nos nossos alunos, e contribuir para promover o letramento científico acerca de assuntos sociocientíficos essenciais entre as gerações futuras".

Universidade Júnior

A Universidade Júnior a que o cientista se refere foi desenvolvida na forma de um projeto de verão com o envolvimento ativo dos alunos na sua própria aprendizagem, que foi realizado em laboratórios.

O curso, chamado Receitas de microbiologia: antibióticos à la carte, demonstrou ser uma estratégia eficaz para a sensibilização dos alunos do ensino secundário acerca do problema da resistência a antibióticos e da importância da utilização racional destes medicamentos.

Ao contrário das intervenções educativas tradicionais neste âmbito, que têm-se baseado principalmente em campanhas informativas de larga escala, o projeto foi desenvolvido com o objetivo de tirar proveito dos reconhecidos benefícios do trabalho laboratorial, do tipo "mão na massa".

O sucesso do experimento foi descrito pelos cientistas em um artigo na última edição da revista PLOS ONE.


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