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03/11/2011

Quer resistir às tentações? Não pense muito

Divya Menon

Suscetibilidade às tentações

Quer resistir às tentações?

Um novo estudo sugere que ficar pensando muito pode não lhe ajudar muito.

As tentações vêm nos mais diversos sabores: seja a tentação de um sorvete para quem está de dieta, seja a tentação de uma pessoa atraente para alguém casado.

Segundo os pesquisadores, se você se deparar com estas ou outras situações similares, parar para pensar só vai ajudar dependendo do estado emocional em que você se encontra.

Em alguns casos, pensar só vai lhe fazer encontrar razões para sucumbir.

Comportamento impulsivo versus autocontrole

Loran Nordgren e Eileen Chou, da Universidade de Northwestern (EUA) queriam testar duas "sabedorias populares" muito comuns na literatura científica.

"A primeira mostra que a presença da tentação distorce a cognição de uma forma tal que acaba promovendo o comportamento impulsivo," explica Nordgren.

A outra mostra que "a tentação aciona processos protetores de pensamento que promovem o autocontrole. Você mostra um pedaço de torta a alguém que está de dieta e ela responde 'Não, obrigado, estou de dieta'," completa.

Segundo o pesquisador, as duas abordagens deixam de lado um fator crucial: a interação entre a tentação e o que ele chama de "estados viscerais": fome, sede, desejos sexuais e paixões.

Para ele, são esses estados bem animais que ditam se os processos cognitivos serão orientados para o comportamento impulsivo ou para o autocontrole.

Estimulados ou relaxados

Os pesquisadores analisaram diferentes mecanismos cognitivos, incluindo a atenção e a "valorização motivada" - o quanto nos preocupamos com alguma coisa dependendo de outras recompensas - para ver como a tentação os afeta.

Em um experimento, 49 estudantes do sexo masculino com relações de compromisso assistiram um filme erótico, que os colocou em um "estado visceral quente", ou um desfile de moda, criando um estado relaxado.

Os pesquisadores, em seguida, mostraram-lhes imagens de mulheres atraentes e observaram quanto tempo os voluntários olhavam para elas.

Uma semana depois, o procedimento foi o mesmo, mas lhes foi dito que as mulheres atraentes eram estudantes "disponíveis" - sem compromisso.

Desta vez, os homens "estimulados" pelo filme erótico olharam mais para as mulheres: mais tentação promoveu menos fidelidade.

E o resultado foi o oposto para os homens relaxados pelo desfile de moda.

O mesmo comportamento foi observado quando os pesquisadores estudaram o interesse não pelo sexo, mas pelo cigarro.

Demônios nos dois ombros

O que tudo isso nos diz?

"Se nós pensarmos em termos de razão versus paixão, nós tendemos a pensar que a cognição serve aos interesses de longo prazo, e a paixão serve à gratificação imediata - um anjo em um ombro e um demônio em outro," interpreta Nordgren.

"Nós também podemos pensar que, se você está excitado ou faminto, seus pensamentos - o anjo - estarão no lugar certo, mas você cai em tentação."

"A necessidade ou o desejo apoiam a impulsividade, mas também corrompe os processos cognitivos que podem ajudá-lo a interromper o comportamento," continua.

"Quando você está sendo tentado, com sua racionalização sucumbindo, e está em um estado excitado, você pode acabar tendo demônios nos dois ombros," conclui ele.


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