Como evitar um desastre na Biologia Sintética

Riscos ecológicos da biologia sintética

Especialistas afirmam ser necessário um suprimento entre US$20 milhões e US$30 milhões de dólares em pesquisas durante a próxima década para identificar e lidar adequadamente com os possíveis riscos ecológicos da biologia sintética.

A biologia sintética é uma área emergente de pesquisas voltadas para a concepção e construção de novas "peças" e sistemas biológicos, ou modificação de seres vivos já existentes, para criar novas aplicações em áreas que vão da energia até os produtos químicos e farmacêuticos.

Sem pesquisas-chave sobre esses riscos e sem supervisão federal adequada, organismos sintéticos poderão sobreviver e prosperar em ambientes naturais, causando estragos em ecossistemas locais, segundo um comentário publicado pela revista Nature.

O artigo, intitulado "Quatro passos para evitar um desastre biológico-sintético", foi escrito por Genya V. Dana, Todd Kuiken e Rejeski David, do Projeto Biologia Sintética do Woodrow Wilson International Center, e por Allison A. Snow, da Universidade do Estado de Ohio.

Benefícios com riscos sob controle

Os autores destacam a necessidade de lidar de forma proativa com os riscos ambientais, para que os potenciais benefícios da biologia sintética possam se efetivar.

"Ninguém entende ainda os riscos que os organismos sintéticos representam para o meio ambiente, que tipos de informações são necessárias para apoiar avaliações rigorosas, ou quem deve recolher esses dados," escrevem os autores.

E, embora questões semelhantes tenham sido levantadas sobre as culturas geneticamente modificadas, os produtos da biologia sintética "serão alterados de formas mais sofisticadas e fundamentais (como a eliminação de vias metabólicas), tornando-os potencialmente mais difíceis de controlar, gerir e monitorar."

Os autores dizem que é imperativo iniciar a pesquisa antes dos avanços esperados na área.

"A biologia sintética já saiu dos laboratórios, impulsionada por importantes investimentos públicos e privados em organismos geneticamente modificados para produzir produtos químicos, medicamentos e biocombustíveis," escrevem eles.

Organismos sintéticos e meio ambiente

Estima-se que o mercado global de biologia sintética alcance US$ 10,8 bilhões nos próximos quatro anos.

Os autores propõem quatro áreas nas quais os pesquisadores, cientistas, reguladores e outras partes interessadas devem concentrar-se no curto prazo:

  1. como a fisiologia dos organismos sintéticos é diferente daquela dos organismos naturais;
  2. como organismos sintéticos que "escapem" poderiam afetar o meio ambiente;
  3. como organismos sintéticos poderiam evoluir no ambiente natural;
  4. e as consequências da troca de materiais genéticos entre os organismos sintéticos e os organismos naturais.

Os autores advertem que essa pesquisa vai levar tempo, e enfatizam que este trabalho deve ser integrado na agenda mais ampla das pesquisas da biologia sintética.

"As agências públicas devem conectar a pesquisa básica com a pesquisa de risco ambiental pelo co-financiamento de projetos e exigir que os bolsistas trabalhem com os cientistas ambientais desde o início", diz o artigo.

Recentemente, o ganhador do Prêmio Nobel de Medicina, John Sulston, havia chamado a atenção sobre os riscos de concessão de patentes para o desenvolvimento de células sintéticas.

Fonte: Como evitar um desastre na Biologia Sintética


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