Especialistas debatem o fenômeno do rolezinho

"Rolezinhos" estão sendo programados pelas redes sociais em mais de dez estados brasileiros para as próximas semanas.

Em muitos deles, movimentos sociais e universitários organizam os encontros em protesto à repressão policial contra a reunião que ocorreu em um shopping de Itaquera, bairro da zona leste de São Paulo.

Na linguagem popular, "rolezinho" significa passear ou dar uma volta. Nas últimas semanas, porém, a palavra tem sido bastante usada para descrever reuniões de jovens, principalmente da periferia, em shopping centers.

De acordo com a professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ivana Bentes, o fenômeno tem um forte caráter político e surpreende por resgatar o espírito das manifestações do ano passado em um cenário inusitado, os shoppings.

"Mesmo que não tivesse uma intenção de [operar] politicamente, ele é político. A simples existência de um jovem negro da periferia dentro de um shopping center, sendo rejeitado, sendo considerado um consumidor indesejado, já é um fato político, independentemente da intencionalidade. Acho muito importante que outros grupos sociais tenham se organizado para manifestar solidariedade a esses jovens", disse a professora.

Rolezinhos

O chamado "rolezinho" começou em São Paulo, no fim do ano passado. Desde então, vários ocorreram, chegando a reunir milhares de pessoas.

No último sábado (11) foi no Shopping Itaquera, teve a participação de 6 mil jovens e terminou em confronto com a Polícia Militar.

As administrações de alguns shoppings conseguiram liminares para impedir os encontros.

Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Fernando Menezes, o que está em jogo, nesse caso, é o direito de ir e vir e o direito à propriedade. "No caso em que um grupo, se valendo da sua liberdade de ir e vir, combina um encontro de tal volume e de tal tamanho e com tais atitudes que começam a, exageradamente, impedir o exercício de outros direitos e liberdade por outras pessoas, estão abusando do seu direito", explicou.

O professor da Universidade de Brasília, Alexandre Bernardino, discorda. Na opinião dele, a proibição da entrada nos shoppings está ligada ao perfil dos jovens que fazem os "rolezinhos".

"É claramente uma manifestação de preconceito em relação a um determinado grupamento social que se caracteriza por pobreza e por negritude, um grupo que se manifesta politicamente, no sentido mais amplo da palavra, e que não pode ter seu direito de manifestação e de ir e vir cerceado em um lugar público, porque o lugar é privado, mas é aberto ao público, então é público", defende.


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