Seis britânicos fazem transplantes cruzados de rins

Seis britânicos fazem transplantes cruzados de rins
Três pacientes precisam de rins. Um parente de cada um se dispôs a doar um rim. Mas os órgãos eram incompatíveis, apesar do parentesco. A saída foi um transplante cruzado.
[Imagem: BBC]

Incompatibilidade de órgãos

Seis britânicos se submeteram simultaneamente a um procedimento cirúrgico incomum que realizou o transplante cruzado de três rins.

Teemir Thakrar, de 32 anos, Chris Brent, de 42, e Andrea Mullen, de 54, precisavam de rins novos.

Lynsey, mulher de Thakrar, Lisa Burton, irmã de Brent, e Andrew, marido de Mullen, estavam dispostos a ceder um de seus rins para salvar seus entes queridos.

Porém, seus órgãos eram incompatíveis com os de seus parentes.

Transplantes simultâneos

Para solucionar o impasse, os seis aceitaram fazer um transplante cruzado de rins, em que uma pessoa saudável doa seu órgão para um estranho em troca de seu ente receber um novo rim de um outro desconhecido.

Assim, Lynsey doou seu rim para Mullen, cujo marido doou para Brent. Já a irmã de Brent, Lisa, doou para Thakrar. Tudo ao mesmo tempo, às 9h da manhã do último dia 4 de dezembro.

Foi a segunda vez que uma doação cruzada tripla ocorreu na Grã-Bretanha, mas foi a primeira em que os envolvidos se dispuseram a aparecer em público para contar suas histórias.

Banco de doadores

"Eu não podia doar diretamente para Chris porque nós somos incompatíveis, mas desta forma eu pude ajudá-lo. Eu estava assustada no começo e um pouco incerta sobre esse banco de doadores, mas eu estou encantada porque todos estão se saindo bem e porque eu pude ajudar o meu irmão a melhorar", disse Lisa.

"No dia do meu casamento com Lynsey, eu tive de ir para casa à noite fazer diálise (...) Eu estou excitado com a possibilidade de fazer exercícios novamente e voltar à academia. Estou feliz em saber que outras duas pessoas também se livraram da diálise", comentou Teemir Thakrar.

Transporte de órgãos

Às 9h da manhã do dia 4 de dezembro de 2009, os três transplantes tiveram início. Depois de extraídos dos doadores, os três rins foram colocados no gelo e transportados para os receptores. Dois deles estavam em Londres, mas um deles estava em Edimburgo, na Escócia. Por isso, os órgãos tiveram de ser transportados de avião.

Segundo os médicos envolvidos, esse tipo de procedimento é complicado, primeiramente, por causa dessa questão logística. Além disso, todos os pacientes precisam estar em boas condições ao mesmo tempo para iniciar os transplantes. Se qualquer um deles não se sentir bem, as cirurgias precisam ser adiadas.

"A cirurgia foi um grande sucesso graças ao excelente trabalho em equipe dos três hospitais", disse Vassilios Papalois, cirurgião renal do Imperial College Healthcare, um dos três centros que realizaram os procedimentos.

"Andrea teve de passar por muita preparação antes desse transplante, então, sem essa operação tripla, que foi planejada com antecedência, seria pouco provável que ela conseguisse um órgão a partir da lista de pessoas falecidas", explicou Lorna Marson, cirurgiã responsável pelo transplante na Royal Infirmary de Edimburgo.

Transplantes cruzados

"É imperativo que olhemos para todas as opções e uma lista de doadores como essa proporciona aos pacientes uma chance muito melhor e os ajuda a se libertarem de uma vida presa à diálise", disse o cirurgião Geoff Koffman, do hospital Guy's and St Thomas, em Londres.

Segundo Papalois, nos Estados Unidos já são realizados transplantes cruzados envolvendo até doze pessoas.

Esse tipo de transplante cruzado foi legalizado na Grã-Bretanha em 2006. Desde então, cerca de 20 procedimentos duplos foram realizados. Os dois primeiros triplos, incluindo o citado nesta reportagem, ocorreram no final do ano passado.

O governo britânico informa que, atualmente, cerca de 7 mil pessoas estão na lista de espera por um rim. O prazo de espera dura em média três anos.

"Nós esperamos que esse seja apenas o começo de coisas que estão por vir e que essa prática singular se torne possível em hospitais por todo o país", declarou um porta-voz do NHS, o sistema público de saúde da Grã-Bretanha.


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