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15/09/2014

Ser matemático é bem mais que fazer contas e dar aulas

Com informações da Agência USP

Além das aulas

A quantidade de oportunidades que se abrem diante de quem se forma na área da matemática pode ser comparada ao tamanho do universo dos números: infinito.

Mas na hora de prestar o vestibular, esse universo se oculta diante dos olhos de muitos estudantes que gostam de matemática.

Em vez de enxergar essas oportunidades, eles só são capazes de ver os mitos que assombram quem pensa em seguir por esse caminho.

Nem todo matemático é, necessariamente, um professor de matemática. Seguir a carreira de professor é apenas uma opção entre muitas outras que existem à disposição de quem gosta de matemática.

O professor Leandro Aurichi, Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, assegura que faltam matemáticos no mercado de trabalho: os bancos e as agências de consultoria financeira demandam muito mais profissionais do que as universidades conseguem formar.

Entre os profissionais das ciências exatas, segundo o professor Aurichi, o matemático é o que menos sabe calcular: "A matemática que os alunos encontram na universidade é completamente diferente da matéria que eles aprenderam no ensino médio e fundamental. Aqui, nós não estamos interessados em fazer contas, mas em entender como as coisas funcionam e as relações entre essas coisas. É uma busca por uma compreensão mais qualitativa que quantitativa".

Oportunidades para matemáticos

Um matemático pode atuar em empresas de gestão, de logística e até de marketing. A busca pelo petróleo, por exemplo, se dá por meio de métodos matemáticos: ondas são enviadas para o subsolo e os ecos são analisados matematicamente. Dependendo das características desses ecos, são identificados os indícios da existência de petróleo naquele local.

Em uma fábrica de calçados, para aproveitar ao máximo os materiais, é preciso otimizar matematicamente a disposição das peças a serem cortadas. Esse é um desafio geométrico que demanda também o desenvolvimento de programas para realizar essa atividade automaticamente.

Quem se encanta com as soluções da matemática para problemas concretos da humanidade como esses pode seguir o caminho do Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica.

Mas a vocação para o ensino acomete muitos matemáticos. Entre esses, estão os que escolhem dar aulas para o ensino médio e fundamental e, para isso, cursam Licenciatura em Matemática . Há também quem deseja se tornar um pesquisador-professor universitário. Esse nicho de mercado costuma ser ocupado pelos Bacharéis em Matemática. Quando eles não se dirigem ao mercado de trabalho, optam pela carreira acadêmica e prosseguem

Bons salários

O medo de não conseguir garantir a própria sobrevivência no futuro é outro mito recorrente que está ligado ao anterior: "todo matemático é professor de matemática". Por isso, cogita-se que tenha se fortalecido juntamente com a disseminação da "síndrome do professor mal remunerado".

Segundo Aurichi, apesar de ter um bom salário, os matemáticos que seguem carreira acadêmica ganham menos do que aqueles que vão para o mercado, pois a disputa acirrada por profissionais torna os salários iniciais bastante atraentes.

"Nossos alunos recém-formados têm ingressado no mercado de trabalho com salários que variam de R$ 3,5 a 4 mil e com ótimas perspectivas de crescimento profissional nas empresas," completa o coordenador do Bacharelado em Matemática Aplicada e Computação Científica, Gustavo Buscaglia.


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