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30/03/2015

Será necessário ligar a memória para nos lembrarmos?

Redação do Diário da Saúde
Será necessário ligar a memória para nos lembrarmos?
Experimentos recentes mostraram que a associação entre memória e sono, aceita há vários anos, estava errada. [Imagem: Mayank Mehta]

Amnésia contingente

Lembrar pode não ser uma atitude tão simples como se imaginava: as pessoas podem ter de "ligar" suas memórias a fim de acessá-las e se lembrar, mesmo no caso dos detalhes mais simples de uma experiência.

Isto indica que a memória é muito mais seletiva do que se pensava anteriormente, produzindo o que os pesquisadores chamam de "amnésia contingente".

"Acredita-se geralmente que você vai se lembrar de detalhes específicos sobre as coisas com as quais você está lidando, mas nossos experimentos mostram que isso não é necessariamente verdade," explica o Dr. Brad Wyble, professor de psicologia da Universidade da Pensilvânia (EUA), que realizou os experimentos com seu colega Hui Chen.

"Nós descobrimos que, em alguns casos, as pessoas têm dificuldade em se lembrar até mesmo de partes muito simples de informações quando não esperavam ter que se lembrar delas," esclarece Wyble.

Memória surpresa

Os pesquisadores testaram a memória de 100 estudantes, divididos em vários grupos. Cada grupo fez uma variação do experimento, a fim de reproduzir os resultados para diferentes tipos de informação, tais como números, letras ou cores.

Os testes mostraram sinais de "amnésia contingente", que ocorre quando uma pessoa usa uma informação para executar uma tarefa, mas não é capaz de repetir especificamente a informação apenas um segundo depois.

Esse esquecimento contingencial ocorreu fortemente quando os estudantes foram surpreendidos com a pergunta sobre a informação que não era central no experimento, mas que eles haviam acabado de usar.

Após o teste surpresa, a mesma pergunta foi repetida na próxima prova, mas então os estudantes já estavam alertas. Desta vez, eles saíram-se muito melhor, com uma média de lembrança que saltou de uma média 25% para algo entre 65 e 95% entre os diferentes experimentos.

Interpretações

Os pesquisadores dizem que esse resultado sugere que as expectativas das pessoas desempenham um papel importante na determinação do que elas se lembram, mesmo com relação a informações que elas usaram ativamente.

"Parece que a memória é como uma espécie de câmara de vídeo," disse Wyble. "Se você não apertar o botão gravar, ela não vai 'lembrar' daquilo para o que a lente está apontando. Mas se você apertar o botão, neste caso você sabe que terá que lembrar - então as informações são armazenadas."

Contudo, os experimentos parecem não dar suporte à interpretação do pesquisador, uma vez que quase um quarto dos estudantes lembrou-se das informações sem terem "apertado o botão gravar".

Assim, parece que a memória é armazenada de qualquer forma, mas torna-se mais difícil trazê-la à consciência quando achamos que não é essencial lembrarmo-nos dela. Ou, o que complicaria novos experimentos, pode ser que a memória não seja armazenada igualmente ou tão fortemente por todas as pessoas.


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