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22/08/2013

Síndrome de Angelina Jolie: mutação genética não é tudo

Redação do Diário da Saúde
Síndrome de Angeline Jolie: mutação genética não é tudo
A Enciclopédia dos Elementos do DNA recentemente aprofundou os mistérios do genoma humano.[Imagem: NHGRI]

Se duas mulheres têm a mesma mutação genética que as coloca em risco superior à média de uma doença como o câncer de mama, por que apenas uma delas desenvolve a doença?

O assunto, que ganhou contornos alarmistas com o episódio da atriz Angelina Jolie, está longe de ter respostas prontas e definitivas.

Geneticistas da Universidade de Michigan (EUA) afirmam estar apenas começando a entender como o resto do genoma interage com essas mutações genéticas suspeitas para causar as diferenças que vemos entre os indivíduos.

Fundo genético

Sudarshan Chari e Ian Dworkin queriam saber com que frequência o chamado background genético - a base genética geral e comum - altera a forma como as mutações genéticas interagem umas com as outras.

Embora possa parecer surpreendente, Dworkin afirma que esta é a primeira vez que essa questão foi examinada de forma sistemática.

"Já se sabe há algum tempo que mutações genéticas podem modificar os efeitos umas das outras," explica Dworkin. "E sabemos também que as diferenças sutis no genoma de um indivíduo - o que os cientistas chamam de fundo genético do tipo selvagem - também afeta a forma como as mutações se manifestam."

Os pesquisadores descobriram que o fundo genético herdado afeta os resultados das interações entre as mutações genéticas cerca de 75% das vezes!

Redes genéticas

Isto pode ter implicações radicais na forma como os cientistas constroem redes genéticas - mapas de como os genes interagem uns com os outros.

"Pode ser que algumas partes cruciais das redes genéticas não tenham sido construídas," disse o pesquisador. "Parece também que as descrições das redes são mais fluidas do que pensávamos."

Este é mais um golpe duro no chamado "determinismo genético", considerações do tipo "tal gene causa tal doença".

A implicação mais ampla de mais esta descoberta é que, mesmo para doenças com uma base genética simples, a variação no genoma como um todo pode ter peso equivalente tanto para a compreensão da doença, como para seu tratamento, disse Dworkin.

Isto explica como, no caso do câncer de mama, por exemplo, o fundo genético de cada mulher influencia como a mutação se expressa, causando resultados diferentes - o câncer em uma mulher que tem a mutação, enquanto outra que tem a mesma mutação não o desenvolve.

Meandros

A pesquisa também pode ajudar a explicar por que algumas pessoas se beneficiam de um tratamento específico para uma doença de fundo genético, enquanto outras não obtêm benefícios ou tornam-se resistentes a um medicamento depois de um curto período de tempo.

É provável que a maioria das doenças com um componente genética suspeito, tal como o câncer, asma ou Mal de Parkinson, envolvam reações entre mais do que um conjunto de genes.

Para Dworkin e Chari, o próximo passo para responder a essa e a muitas outras dúvidas que ainda pairam sobre o assunto, será separar os meandros do que acontece em pacientes específicos.


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