Sistema mecatrônico auxilia reabilitação de fraturas

Sistema mecatrônico

A partir de conhecimentos de especialistas na área da saúde e da engenharia, pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos, da USP, criaram um sistema mecatrônico móvel e interativo usado para auxiliar a reabilitação de pessoas que sofreram fratura óssea.

O estudo faz parte de um projeto de inovação que utiliza tecnologia de informação, teleoperação, jogos e robôs.

A técnica foi desenvolvida para pacientes com fraturas na extremidade distal do rádio (osso do antebraço, que vai do cotovelo ao punho).

Reabilitação com alta tecnologia

O sistema integra robôs, computadores, câmeras, sensores, estrutura de rede e internet ao processo de reabilitação.

"O braço do paciente é ligado a um dispositivo robótico que faz o acompanhamento dos exercícios estabelecidos pelo terapeuta ou pelo clínico, garantindo sua realização de forma correta", afirma o professor Glauco Caurin, que coordena a pesquisa.

A evolução do processo de terapia é acompanhada de forma determinística, por meio de análise de grandezas físicas, como amplitude de movimento, velocidade, acelerações e energia consumida.

"As avaliações qualitativas, baseadas em critérios subjetivos, são substituídas por dados gravados em tempo real, com o histórico do tratamento gravado de forma organizada e acessível", acrescenta Caurin.

Os jogos são utilizados para manter o paciente motivado durante as sequências exaustivas de movimentos necessários a sua recuperação.

"O uso da internet permite que paciente e terapeuta possam estar em lugares distintos e mesmo assim continuem a trabalhar sem perda de qualidade," complementa.

Uso de robôs em hospitais

Após os experimentos em laboratório, o professor da EESC esteve durante um ano no Newman Laboratory for Biomechanics Human Rehabilitation, nos Estados Unidos, para desenvolver a aplicação do sistema em hospitais.

"O laboratório possui muita experiência no uso clínico de robôs, utilizados por mais de 600 pacientes, e em questões como a garantia da segurança do paciente", conta. "O estabelecimento de novos protocolos de reabilitação para o uso de robôs já são uma realidade e o Brasil não pode ficar para trás".

De acordo com Caurin, com o auxílio dos robôs os terapeutas podem ser aliviados da maior parte do trabalho físico que realizam, podendo se concentrar no monitoramento do desempenho do paciente para alterar os parâmetros e programas do robô, de modo a extrair melhores resultados do processo de recuperação.

"O sistema de saúde exige o atendimento de um número cada vez maior de pessoas em menor tempo e com mais qualidade", aponta. "A solução é usar novas tecnologias e aumentar a produtividade."

Robôs auxiliares

O professor ressalta que o conceito de robótica do projeto se volta para a cooperação e não para a substituição.

"O robô coopera com o terapeuta , se torna um auxiliar. O papel do terapeuta é indispensável no processo. No entanto, há um ganho de produtividade", destaca. "O robô também coopera com o paciente, porém as tecnologias adotadas não são assistivas, sendo preciso realizar o exercício para que haja cooperação".

O uso do sistema para reabilitação foi escolhido para mostrar seu potencial na melhoria da qualidade de vida da população.

"Com o sucesso nas primeiras experiências, abre-se a possibilidade de que a mesma tecnologia seja utilizada em outros tipos específicos de reabilitação", diz o professor. "É possível imaginar no futuro uma espécie de 'academia de robôs', cada um dedicado a um problema distinto".


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