Sistema nervoso interage com sistema imune para controlar inflamação

Sistema nervoso interage com sistema imune para controlar inflamação
Imagem do intestino de um dos animais de laboratório, mostrando a produção de muco dependente da ILC2 (em roxo).
[Imagem: Saya Moriyama]

Controle das doenças inflamatórias

Células do sistema nervoso podem "colocar freios" na resposta imunológica contra infecções no intestino e nos pulmões, de forma a prevenir inflamações excessivas.

É o que acaba de descobrir a equipe do Dr. David Artis, da Universidade de Cornell (EUA), trazendo a expectativa de novas formas de tratar doenças causadas por inflamações descontroladas como a asma, e doenças inflamatórias intestinais como a colite e a doença de Crohn.

Além disso, este é mais um resultado que mostra o quanto a ciência tem para descobrir sobre o papel das células nervosas - genericamente conhecidas como neurônios. Apenas nas últimas semanas descobriu-se que as células nervosas sofrem metamorfose para curar ferimentos e que os neurônios dos intestinos parecem formar um "segundo cérebro".

"Há uma troca de informações entre o sistema nervoso e o sistema imunológico, e isso desempenha um papel importante na regulação da inflamação aguda e crônica. Esses dois sistemas de órgãos estão interagindo de perto e desempenham um papel importante na saúde e na doença humanas," disse o Dr. Artis, que publicou suas descobertas na revista Science.

Asma e helmintos

A descoberta dessa conexão entre sistema nervoso e sistema imunológico traz informações inéditas sobre o que pode dar errado no caso de inflamações crônicas, como a asma e a doença inflamatória intestinal, que se tornaram mais comuns nos países industrializados, e nas infecções por helmintos, que ainda são um grande problema de saúde pública nos países mais pobres.

A equipe estudou especificamente o caso da resposta inflamatória desencadeada por alérgenos e infecções com parasitas helmintos. A exposição a esses agentes faz com que uma classe de células imunes chamadas células linfoides inatas do grupo 2 (ILC2) liberem moléculas inflamatórias, chamadas citoquinas, que podem promover aumento da produção de muco e contrações musculares - tudo isso ajuda a expulsar o parasita ou o alérgeno do corpo.

A inflamação excessiva ou prolongada pode ser prejudicial, então o Dr. Artis e sua equipe queriam entender como o corpo amortece essa resposta.

Comunicação entre sistemas nervoso e imunológico

As ILC2s têm receptores em sua superfície chamados receptores β2 adrenérgicos (β2AR), que interagem com um composto químico liberado pelas células nervosas chamado norepinefrina. Esses receptores dão às células nervosas a capacidade de interagir umas com as outras e influenciar a resposta imune.

Para determinar o papel da β2AR na comunicação entre os sistemas nervoso e imunológico, a equipe usou camundongos modificados geneticamente para não apresentarem os receptores, e depois os infectaram com helmintos. Os roedores tiveram uma resposta imune exagerada à infecção e uma expulsão mais rápida dos parasitas. Em contrapartida, quando camundongos normais foram tratados com drogas que estimulam a β2AR, a resposta imune foi arrefecida e as infecções por helmintos pioraram.

"Nós descobrimos que esses receptores beta-adrenérgicos controlam a proliferação das células ILC2," disse a pesquisadora Saya Moriyama, responsável pelos experimentos, observando que os receptores podem ajudar a prevenir a inflamação exagerada.

Se esses resultados forem confirmados em seres humanos, eles poderão ter implicações muito importantes para pacientes com asma, alergias e outros tipos de doenças inflamatórias.


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