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16/03/2015

Cientistas estão alterando DNA de embriões humanos

Redação do Diário da Saúde

Uma série de reportagens e apelos assinados por cientistas de universidades e empresas de biotecnologia está chamando a atenção da imprensa do mundo todo.

Nas reportagens, os próprios pesquisadores conclamam uma moratória total nas pesquisas com a manipulação genética de embriões humanos, taxadas por eles como perigosas e antiéticas.

Edição genética humana

Segundo as revistas Nature e Science, artigos científicos a serem publicados nos próximos dias relatam experimentos com "técnicas de edição genética de precisão", nos quais os cientistas modificaram o DNA de embriões humanos.

O assunto foi denunciado pela revista Technology Review, do MIT (EUA), que cita "uma pesquisa ativa em torno de edição das células da linha germinativa, que está ocorrendo na China, na Universidade de Harvard e em uma empresa de biotecnologia de capital aberto chamada OvaScience."

Os resultados devem ter assustado os próprios cientistas. Embora as revistas citem apenas "rumores" sobre os experimentos, o processo de publicação científica envolve a chamada "revisão pelos pares", por meio da qual outros cientistas da área avaliam a qualidade dos artigos e dos experimentos antes que os artigos sejam efetivamente publicados.

Ou seja, os experimentos e seus resultados já são conhecidos de uma parte da comunidade científica - além, obviamente, dos próprios cientistas envolvidos - embora só devam chegar ao conhecimento público nos próximos dias.

E, aparentemente temendo serem acusados de conivência pela opinião pública, esses cientistas e as duas revistas de ciência mais famosas do mundo lançaram o apelo pela moratória.

Perigoso para as futuras gerações

Em um dos textos publicados pela revista Nature, intitulado "Não editem a linha germinativa humana", cinco pesquisadores da área afirmam que "há graves preocupações com relação às implicações éticas e de segurança dessa pesquisa. Há também medo do impacto negativo que ela poderá ter sobre trabalhos importantes envolvendo o uso das técnicas de edição genômica em células somáticas (não reprodutivas)".

Segundo eles, as tecnologias de edição do DNA - que envolvem a ativação ou o silenciamento de genes específicos - têm grande importância para a pesquisa de várias doenças humanas, e que essas técnicas não precisam lidar com as células reprodutoras humanas, que afetam diretamente o bebê a ser gerado e que podem visar aplicação não-terapêuticas, incluindo a "modelagem" de filhos com características específicas.

"Em nossa visão, a edição genômica em embriões humanos usando as tecnologias atuais poderá ter efeitos imprevisíveis sobre as futuras gerações. Isto as torna perigosas e eticamente inaceitáveis," afirmam Edward Lanphier e seus colegas.

Controle social da ciência

O grande problema é que apenas poucos países - cerca de 40 - criaram legislações restringindo ou proibindo a manipulação genética dos embriões humanos. E, se não é proibido, pressupõem os cientistas que continuam com estas pesquisas, então deve ser permitido.

Mas a parte da comunidade científica que agora decidiu se manifestar defende que a ética está sendo ferida, com graves riscos para a humanidade. Eles conclamam a sociedade a se manifestar para evitar que o impacto negativo atrapalhe as pesquisas que seguem as regras éticas e são feitas para benefício da raça humana.

Um embargo voluntário dos cientistas parece não ser suficiente, a exemplo do que ocorreu em 2011, quando eles manipularam o vírus da gripe aviária para que ele afetasse humanos, uma pesquisa que foi duramente criticada pela Organização Mundial da Saúde - os artigos acabaram publicados.


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