Sonda para biópsia virtual detecta pólipos pré-cancerosos durante colonoscopia

Exame sem biópsia

A nova geração de sondas de colonoscopia para "biópsia virtual", em teste na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, demonstra que poderá ser possível, em breve, usar tais dispositivos para determinar se um pólipo do cólon é benigno e, se for o caso, não removê-lo para biópsia.

Atualmente, todos os pólipos de cólon são extraídos durante uma colonoscopia e enviados a um patologista para exame, o que soma tempo, custos e algum risco cirúrgico ao procedimento.

Endomicroscopia Confocal a Laser

Na edição de março do jornal Gastroenterology, os pesquisadores relataram que a Endomicroscopia Confocal a Laser baseada em sonda (pCLE - probe-based Confocal Laser Endomicroscopy) é o sistema mais avançado entre dois testados.

A conclusão é de que a pCLE é muito mais precisa do que a cromoendoscopia virtual, também conhecida como imagem de banda estreita (narrow-band imaging).

O pCLE - uma ferramenta de produção de imagem de apenas um dezesseis avos de polegada em diâmetro - pode ampliar um pólipo por um fator de 1.000, para detectar alterações potencialmente perigosas mesmo em células uniformes isoladas, tais como aumentos dos núcleos. A imagem de banda estreita usa luz azul para melhorar uma imagem.

Pólipos no intestino

Os pesquisadores descobriram que a pCLE apresentou uma precisão de 91% na detecção de pólipos pré-cancerosos, enquanto a imagem de banda estreita foi precisa em 77% dos casos, quando comparados os resultados das biópsias.

"Estamos chegando mais perto de onde queremos estar, que é uma precisão de 100%", diz o autor sênior do estudo, Michael Wallace, M.D., M.P.H., professor de medicina da Escola de Medicina da Clínica Mayo na Flórida. "Algum dia, em breve, seremos capazes de usar essas sondas para fazer a biópsia virtual de pólipos, removendo apenas aqueles que podem se tornar cancerosos", ele afirma.

Metade de todos os pólipos removidos durante uma colonoscopia, hoje em dia, são benignos, diz Michael Wallace.

Célula pré-cancerosa

Os dois métodos testados pelo pesquisador e sua equipe estão sendo usados em algumas instituições, tais como a Clínica Mayo, para examinar a área onde o pólipo acabou de ser removido, para se ter certeza de que nenhuma célula pré-cancerosa foi deixada nas proximidades.

Isso pode ser determinado pela busca de alterações na cor ou tamanho das células, na aparência dos núcleos e de agrupamentos anormais de células, devido a crescimento anormal delas.

Nesse estudo, os pesquisadores realizaram uma colonoscopia padrão em 75 pacientes e, durante o procedimento, usaram o sistema de imagem de banda estreita e também o de pCLE, para averiguar riscos de câncer nos pólipos. Em todos os casos, 119 pólipos foram removidos dos pacientes e enviados a patologistas para análise. Desses, 81 eram pólipos pré-cancerosos e 38, benignos.

Ambos os sistemas foram igualmente específicos, o que significa que tiveram a mesma capacidade de detectar pólipos benignos. Mas o sistema pCLE foi muito mais sensível na detecção de pólipos pré-cancerosos.

Inflamação no intestino

O médico Michael Wallace continua testando o sistema pCLE em colonoscopias e também está pesquisando o seu uso no diagnóstico da doença inflamatória intestinal, bem como de esôfago de Barrett (ou síndrome de Barrett).

Os pacientes com doença inflamatória intestinal necessitam de biópsias frequentes do cólon, para examinar possíveis desenvolvimentos de câncer de cólon. E, nesse caso, essa sonda pode possibilitar a eliminação de muitas dessas biópsias, ele diz.

"Um paciente nessas condições precisa se submeter, normalmente, a 42 biópsias de seu cólon, durante um único exame. Mas apenas uma em cada 1.000 biópsias apresenta alterações pré-cancerosas", ele diz. "Temos um estudo clínico em andamento, em que o sistema pCLE é usado, que sugere que podemos ser capazes de reduzir substancialmente a necessidade dessas biópsias", afirma.

Esôfago

Da mesma forma, os dados do pesquisador mostram que o sistema de sonda pode reduzir o volume de biópsias em pacientes com esôfago de Barrett, uma condição potencialmente pré-cancerosa, na qual o tecido que reveste o esôfago é substituído por tecido similar ao que reveste os intestinos.

Para descartar o desenvolvimento de câncer, os médicos fazem, normalmente, uma biópsia a cada 10 cm do esôfago dos pacientes com síndrome de Barrett. "Acreditamos que, com o sistema de sonda, iremos realizar biópsias que sejam igualmente valiosas", diz Michael Wallace.


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