Superantibiótico combate superbactérias com múltiplos poderes

Superantibiótico combate superbactérias com múltiplos poderes
A nova droga combate as bactérias de três formas diferentes, reduzindo as chances de desenvolvimento de resistência.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Vancomicina

Cientistas norte-americanos reformularam um antibiótico já disponível comercialmente em uma tentativa de acabar com uma das superbactérias mais ameaçadoras do mundo.

De acordo com o estudo do Instituto de Pesquisas Scripps, a nova versão da vancomicina foi desenvolvida para ser ultrarresistente - os experimentos indicam que ela é mil vezes mais potente do que a versão original.

A pesquisa, publicada na revista científica PNAS, sugere que a nova droga combate as bactérias de três formas diferentes, reduzindo as chances de defesa e de desenvolvimento da resistência ao antibiótico.

Os pesquisadores afirmam que o medicamento estará disponível para uso dentro de cinco anos caso seja aprovado em novos testes - ele ainda não foi testado em animais ou humanos.

Enterococcus resistente à vancomicina

Especialistas já vêm alertando que estamos nos aproximando da "era pós-antibióticos", na qual algumas infecções podem se tornar intratáveis.

Um das infecções mais difíceis de combater é a causada pelo Enterococcus resistente à vancomicina (ERV). Ela é encontrada em hospitais, pode provocar feridas perigosas e infecções na corrente sanguínea e é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como uma das bactérias resistentes a medicamentos que mais ameaça a saúde humana.

Alguns antibióticos ainda funcionam contra o ERV, mas a vancomicina, criada há 60 anos, já é impotente para o tratamento. Por isso a equipe do Instituto Scripps está tentando renovar o antibiótico para tentar restaurar a sua capacidade de matar a superbactéria.

Eles fizeram algumas mudanças na estrutura molecular da droga antiga para torná-la mais eficaz em atacar a bactéria onde é necessário: na destruição das paredes celulares - a bactéria se rompe e morre.

Antibiótico com superpoderes

Três mudanças no antibiótico se mostraram particularmente importantes para aumentar a potência e a durabilidade do efeito do medicamento.

"Nós fizemos uma mudança na molécula da droga que supera a atual resistência à vancomicina. Depois disso, adicionamos à molécula duas mudanças que, incorporadas a ela, criam duas novas formas de matar a bactéria. Então o antibiótico tem três mecanismos diferentes de matar a bactéria," explicou o professor Dale Boger, que fez o desenvolvimento em conjunto com seu colega Akinori Okano.

O antibiótico modificado foi capaz de matar amostras de ERV em laboratório e ainda assim reter quase todo o potencial depois de 50 exposições à bactéria.

"Os microrganismos não conseguem lidar com o trabalho de ter que encontrar três formas diferentes de combater e se livrar dos mecanismos de ação. Mesmo que encontrassem a solução para se livrar de um deles, ainda restariam dois para matá-los. Os médicos podem usar essa versão modificada da vancomicina sem medo de que a resistência apareça," disse Boger.

A equipe pretende agora iniciar os testes em animais de laboratório e, futuramente, em seres humanos.


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