Superidosos têm memórias espetaculares mesmo com placas de Alzheimer

Superidosos têm memórias espetaculares mesmo com placas de Alzheimer
As fibrilações de proteína tau parecem explicar melhor o Alzheimer, enquanto as mais conhecidas amiloides beta podem até funcionar como defesa do cérebro.
[Imagem: Matthew R. Brier]

Memória jovem

Ter uma mente ágil e uma memória boa depois de passar dos 90 anos de idade pode parecer otimista demais, mas o fato é que algumas pessoas de longevidade acima da média conseguem manter todas as memórias desde a sua juventude durante toda a vida.

Uma análise post mortem do cérebro de alguns desses "superidosos" mostrou agora que é possível manter a memória saudável mesmo quando o cérebro apresenta todas as características tipicamente atribuídas à doença de Alzheimer.

Os superidosos que doaram seus cérebros para estudos apresentavam a memória e a cognição de uma pessoa com cerca de metade de sua idade e, de alguma forma ainda não compreendida, conseguiram evitar os sintomas do Alzheimer - nenhum deles havia desenvolvido a doença, apesar das marcas em seus cérebros.

Com placas e sem Alzheimer

A equipe do Dr. Aras Rezvanian, da Universidade Northwestern (EUA), vem procurando há anos amostras cerebrais doadas por essas pessoas para tentar entender qual pode ser o seu segredo.

Desta vez o grupo estudou oito cérebros, todos de pessoas que tinham vivido acima dos 90 anos e apresentaram uma pontuação média nos testes de memória e cognição equivalente aos 50 anos de idade até os seus dias finais. Especificamente, a equipe estudou duas regiões cerebrais - o hipocampo, que está envolvido na memória, e o córtex pré-frontal, que é fundamental para a cognição.

Eles verificaram que os cérebros dos superidosos tinham placas de beta-amiloides e emaranhados de proteínas tau em graus variados, as duas formações que têm sido associadas à morte dos neurônios, e geralmente encontradas no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer depois que elas morrem. Das oito amostras, duas tinham uma densidade e uma distribuição tão altas desses aglomerados de proteínas que se assemelhavam aos casos mais graves de Alzheimer.

Dúvidas sobre causas do Alzheimer

Estes resultados suportam evidências crescentes de que as placas e os emaranhados podem não ser uma causa direta da doença de Alzheimer, defende a professora Cheasequah Blevins, da Universidade do Texas, que participou da pesquisa.

"Um monte de dinheiro tem sido gasto para livrar-se das placas, mas isto não tem ajudado - de fato, torna os pacientes muito doentes", disse ela.

O objetivo da equipe agora é descobrir qual é o fator de proteção do cérebro desses superidosos.


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