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10/07/2012

Brasileiros descobrem novas surpresas sobre o colesterol

Com informações da Agência Fapesp
Brasileiros descobrem novas surpresas sobre o colesterol
Em última instância, os cientistas buscam formas de elevar o colesterol HDL, que tem mais benefícios do que os malefícios do LDL. [Imagem: Wikimedia]

Enigmas do colesterol

A sigla HDL, popularmente conhecida como "colesterol bom", tornou-se familiar até para quem não é da área da saúde depois que diversos estudos demonstraram a importância dessa lipoproteína na prevenção da aterosclerose e das doenças cardiovasculares.

Acreditava-se que o efeito protetor da HDL fosse devido principalmente à sua capacidade de roubar o colesterol presente na parede das artérias e carregá-lo de volta para o fígado, para ser reaproveitado ou excretado.

Mas pesquisas recentes têm demonstrado que a função do colesterol é bem mais complexa - afinal, nada em nosso organismo pode ter uma função essencialmente "ruim".

Assim, agora se sabe que o "bom colesterol" também tem seu lado ruim, que o "colesterol ruim" tem seu lado bom e até que "colesterol bom" pode virar "colesterol ruim".

Agora, uma pesquisa recém-concluída na Universidade de São Paulo (USP) revelou que as concentrações dessa lipoproteína no sangue influenciam também a síntese e a absorção do colesterol no organismo, além de estarem associadas à ação da insulina no metabolismo da glicose.

Os dados foram publicados na revista Clinica Chimica Acta.

Efeito inverso

A pesquisa mostrou que os voluntários com HDL baixo sintetizam mais colesterol, mas absorvem menos essa substância pelo intestino.

Já os participantes com HDL alto sintetizam menos colesterol, mas absorvem mais pelo intestino.

"Esse dado nos surpreendeu e nos pareceu incongruente", afirmou Quintão. Isso porque os estudos epidemiológicos mostram que pessoas que absorvem mais colesterol pelo intestino têm mais risco de sofrer infarto.

"É estranho que essas pessoas que absorvem mais colesterol sejam justamente aquelas com HDL alto", disse.

Também surpreendeu os pesquisadores o fato de os voluntários com valores baixos de HDL apresentarem menor sensibilidade à ação da insulina quando comparados aos voluntários com HDL alto. Isso foi avaliado ao se relacionar a concentração de insulina com a de glicose no sangue em pessoas em jejum.

"Identificamos esse processo de resistência à insulina em um estágio bem precoce. São pessoas saudáveis, sem sintomas e com IMC normal. Não sabemos se daqui a dez anos haverá maior frequência de diabetes nesse grupo. É uma possibilidade de estudo de longo prazo que se abre", disse Quintão.

Dados da literatura científica reforçam a hipótese de que quanto mais elevado o HDL no sangue melhor é o aproveitamento da insulina produzida no pâncreas no metabolismo da glicose em tecidos periféricos.

Papel do colesterol no corpo

"Compreender melhor o papel da HDL no metabolismo do colesterol é fundamental, pois o benefício causado pelo aumento dessa lipoproteína no sangue supera o malefício causado pela elevação da LDL (o colesterol ruim)", afirmou Eder Quintão, coordenador da pesquisa.

Segundo Quintão, os medicamentos existentes para combater o colesterol atuam reduzindo a concentração de LDL (sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade) e de VLDL (sigla em inglês para lipoproteína de muito baixa densidade), que também têm a missão de levar colesterol aos tecidos, mas ao atravessarem a parede da artéria ficam presas e contribuem para a formação da placa aterosclerótica.

"O ideal seria desenvolver drogas capazes de aumentar a HDL no sangue. A dieta e o exercício têm pouco impacto nesse processo. A ingestão habitual de bebida alcoólica, embora eleve a HDL, provoca aumento de mortalidade por causas não cardiovasculares," disse o pesquisador.

Lipases

Os pesquisadores também investigaram várias proteínas e enzimas que regulam a produção de HDL no organismo, entre elas as lipoproteínas lipases.

"Essas enzimas quebram grandes partículas, como o VLDL produzido no fígado e os quilomícrons originados da gordura ingerida, em partículas menores como o LDL e o HDL", explicou Quintão.

A pesquisa mostrou que pessoas com baixo HDL têm quantidade menor de lipoproteína lipase periférica no sangue. "Isso sugere que os organismos desses indivíduos estão transformando uma parte menor do VLDL produzido e dos quilomícrons em HDL", disse.

Já quando se mediu a enzima lipoproteína lipase produzida no fígado, a relação foi inversa. Os voluntários com HDL baixo e maior resistência à insulina apresentaram atividades de lipoproteína lipase hepática mais altas.


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