Surto de microcefalia em Pernambuco continua sem explicações

Em busca das causas

A notícia de que Pernambuco está em estado de emergência em função do aumento de casos de microcefalia trouxe diversas dúvidas a mães e gestantes sobre a origem dessa má-formação, que compromete o desenvolvimento adequado do cérebro do bebê.

Os questionamentos também estão mobilizando médicos, a Secretaria de Saúde e hospitais de todo o estado, que buscam uma explicação para o aumento do número de episódios.

Em média, os casos que não passavam de dez por ano em Pernambuco, chegaram a 141 nos últimos quatro meses.

"Estamos, há duas semanas, numa operação de guerra com todas as frentes abertas, a gente não tem previsão de prazo, estamos correndo contra o tempo, com várias frentes de atuação. A secretaria quer saber o quanto antes a causa para poder atuar na prevenção e no tratamento", explicou Luciana Albuquerque, secretária executiva de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Pernambuco.

Microcefalia

A microcefalia é uma condição neurológica em que a cabeça do recém-nascido é menor quando comparada ao padrão daquela mesma idade e sexo.

Neste caso, os bebês com essa má-formação congênita nascem com um perímetro cefálico menor do que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm.

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Tratamentos feitos desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida.

Causas da microcefalia

A microcefalia é uma má-formação congênita sem causa definida, associada a uma série de fatores de diferentes origens.

Entre as possibilidades estão o uso de substâncias químicas, como drogas, durante a gravidez, contaminação por radiação e infecção por agentes biológicos, como bactérias e vírus.

Entretanto, ainda não há uma explicação para o aumento repentino dos casos nos municípios pernambucanos.

A Secretaria de Saúde do Estado está analisando possíveis causas para essas ocorrências, entre elas: infecções congênitas (rubéola, sífilis, varicela, toxoplasmose), agressões teratogênicas (drogas como talidomida, aspirina, tetraciclina, calmantes), alcoolismo materno, drogadição (cocaína), infecções provocadas por dengue, chikungunya ou zika, entre outros. Entretanto, ainda não foi identificada a causa.

"Por enquanto, não queremos criar pânico diante das hipóteses que foram levantadas. Precisamos saber a causa e a preparar a rede para atender a esses bebês com fisioterapia e terapia ocupacional, pois eles podem apresentar limitações motoras e cognitivas," adiantou a secretária.

Surtos em outros estados

O Ministério da Saúde já registrou relatos de profissionais de saúde sobre aumento nos casos de microcefalia também nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte.

As suspeitas estão sendo investigadas já com a presença de profissionais do ministério.

Até 9 de novembro, foram identificados 141 casos. Esses registros foram provenientes de residentes em 42 municípios de diferentes regiões do estado. A maior parte dos nascimentos (55%) ocorreu no município do Recife.


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