SUS terá GPS cirúrgico em operações de tumor cerebral

Cirurgia para áreas nobres

O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) vai adotar um novo conceito cirúrgico que diminui o risco dos pacientes em tratamento de tumor cerebral, inédito no SUS (Sistema Único de Saúde).

Batizado informalmente de "GPS cirúrgico", o processo consiste em uma microcirurgia para ressecção do tumor, baseada no uso combinado de recursos ultramodernos de imagens e registro da atividade elétrica cerebral durante a cirurgia.

As tecnologias, combinadas entre si, garantem o acesso a áreas críticas do cérebro, preservando suas funções e evitando que o paciente sofra algum tipo de sequela. O novo conceito traz para o sistema público brasileiro uma nova abordagem de cirurgias de tumores cerebrais.

O procedimento é indicado para pacientes diagnosticados com tumores oriundos do próprio tecido cerebral, que se situam próximo aos locais "mais nobres" do cérebro, como as áreas visuais, de linguagem ou que comandam a movimentação do corpo.

SUS terá

[Imagem: ICESP/Divulgação]

Monitoramento do cérebro durante a cirurgia

"É comum o médico se defrontar com o dilema de deixar restos tumorais para se evitar sequelas neurológicas ou buscar maior 'radicalidade cirúrgica' assumindo-se o risco de perda de algumas funções cerebrais, como paralisias, perda de sensibilidade, perda visual ou dificuldade de linguagem", afirma o neurocirurgião Guilherme Lepski, do Icesp, ressaltando que tumores nessas localizações não são tão raros.

Numa etapa anterior à cirurgia, funções cerebrais importantes são demonstradas por modernos métodos de imagem (neuroimagem funcional). Exemplos dessas técnicas são a Ressonância Magnética Funcional e a Tractografia Tridimensional - a primeira permite a demonstração das áreas cerebrais envolvidas no planejamento do movimento, e a segunda permite uma reconstrução tridimensional das vias neurais que se projetam à medula espinhal, por exemplo.

Uma das dificuldades técnicas em se abordar essas áreas ocorre pelo fato que, durante a anestesia geral, as principais funções cerebrais estão inativadas ou bloqueadas farmacologicamente. Para contornar essa dificuldade, uma das técnicas recentemente incorporadas no Icesp envolve a Monitorização Eletrofisiológica Intraoperatória, ou seja, o registro constante e em tempo real de diversas funções neurológicas.

A nova técnica permitirá a incorporação de imagens de funções cerebrais no ambiente de navegação cirúrgica. Esses recursos, quando somados à monitorização da atividade elétrica cerebral durante a cirurgia, maximizam a ressecção do tumor e minimizam a chance de sequelas.


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