Tamanho do cérebro influencia habilidades motoras e cognitivas

Tamanho do cérebro influencia habilidades motoras e cognitivas
Tamanho de estruturas cerebrais pode ser usado para estimar o desempenho no aprendizado de novas tarefas, aponta estudo
[Imagem: Oxford University Press]

Tamanho do cérebro

Um estudo feito por um grupo de pesquisadores norte-americanos indicou que o desempenho em uma determinada atividade pode ser previsto por meio da medição do volume de estruturas específicas no cérebro.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista Cerebral Cortex, verificou que cerca de 25% na variação no desempenho, em homens e mulheres treinados em um jogo eletrônico, pode ser estimada pela medição do volume de três estruturas no cérebro.

Habilidades motoras e cognitivas

O estudo reforça que partes específicas do estriado, um conjunto de tecidos contido no interior do córtex cerebral, influenciam profundamente a capacidade do indivíduo em refinar suas habilidades motoras, aprender novos procedimentos, desenvolver estratégias úteis e adaptar-se a um ambiente que muda constantemente.

"Esta é a primeira vez que conseguimos pegar uma atividade do mundo real, no caso o videogame, e mostrar que o tamanho de regiões específicas no cérebro é preditivo em relação à performance e ao aprendizado nessas circunstâncias", disse Kirk Erickson, professor de psicologia da Universidade de Pittsburgh e primeiro autor do estudo, que foi conduzido na Universidade de Illinois.

Trabalhos anteriores indicaram que jogadores experientes superaram iniciantes em diversas medidas de atenção e de percepção, não relacionadas a videogames. Entretanto, outros estudos apontaram que treinar pessoas que nunca jogaram em games não resultou em benefícios cognitivos mensuráveis.

Estruturas do cérebro

Em análises feitas em animais, Erickson e colegas se detiveram em três estruturas cerebrais: o núcleo caudado e o putâmen, no estriado dorsal, e o núcleo acumbens, no estriado ventral.

Os dois primeiros estão ligados ao aprendizado motor e também são importantes para a flexibilidade cognitiva que permite a mudança rápida entre tarefas diferentes. O núcleo acumbens processa emoções relacionadas a recompensas e punições.

"Observamos que o estriado é um tipo de máquina de aprendizagem, que se ativa durante a formação de hábitos e na aquisição de habilidades. Como isso ocorreu em animais, fazia sentido explorar se o estriado também poderia estar relacionado ao aprendizado em humanos", disse Ann Graybiel, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, coautora do estudo.

Cérebro de jogadores de videogame

Na segunda parte da pesquisa, o grupo examinou os tamanhos das três regiões cerebrais em questão em 39 adultos saudáveis por meio de exames de ressonância magnética. Os voluntários, com idades entre 18 e 28 anos, tinham jogado menos de três horas por semana de videogame nos dois anos anteriores. Os volumes das regiões analisadas foram comparados com os do cérebro como um todo.

Os participantes foram treinados em uma de duas versões do jogo Space Fortress, desenvolvido na Universidade de Illinois. O game exige que os participantes tentem destruir uma fortaleza sem perder sua própria nave para diversos tipos de perigos.

Metade dos participantes teve como tarefa aumentar o número de pontos obtido enquanto prestava atenção aos diversos componentes do game. Os outros tiveram que mudar de prioridade de tempos em tempos, aumentando a habilidade em uma área durante um período de tempo enquanto continuavam a melhorar a performance em outras tarefas.

Treinamento de prioridade variável

"A abordagem do segundo grupo, chamada de 'treinamento de prioridade variável', estimula o tipo de flexibilidade na tomada de decisão que é exigida comumente no cotidiano", disse Erickson.

Os pesquisadores observaram que os jogadores que tinham maiores núcleos acumbens se saíram melhor do que os demais nas primeiras fases do período de treinamento, independentemente da tarefa. Segundo eles, o senso de realização e a consequente recompensa emocional é maior nas primeiras fases do aprendizado.

Os voluntários com maiores núcleos caudado e putâmen se saíram melhor no treinamento de prioridade variável. "Essas duas regiões estão implicadas no aprendizado de novas habilidades. E aqueles em que essas estruturas eram maiores aprenderam mais rapidamente e também aprenderam mais do que os demais durante o período", disse.

Segundo os autores, a pesquisa mostra características importantes sobre o funcionamento do cérebro durante o aprendizado de uma nova tarefa. "Podemos usar tais informações de modo a prever quem irá aprender determinada tarefa mais rapidamente, o que teria implicações importantes em diversas áreas", disse Erickson.


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