Técnica para descobrir remédios contra o câncer tem falha grave

Falhas e prejuízos

O principal método utilizado internacionalmente para testar se novos fármacos têm atividade anticâncer está simplesmente errado.

É o que garante a equipe do professor Vito Quaranta, da Universidade Vanderbilt (EUA), em um artigo publicado pela renomada revista Nature Methods.

A descoberta lança dúvidas sobre os métodos utilizados por toda a indústria farmacêutica e por todos os cientistas acadêmicos para descobrir novas drogas contra o câncer.

Ensaios de proliferação

Por mais de 30 anos, os cientistas vêm avaliando a capacidade dos compostos estudados para matar as células de um tumor adicionando o composto às células e contando quantas delas permanecem vivas após 72 horas.

Mas esses "ensaios de proliferação", que medem o número de células em um único ponto no tempo, não levam em conta o viés introduzido pela proliferação celular exponencial, mesmo na presença do fármaco, explica o professor Darren Tyson, especialista em biologia do câncer e coautor da descoberta.

"As células não são uniformes; todas elas proliferam de forma exponencial, mas a taxas diferentes. Em 72 horas, algumas células terão se dividido três vezes, enquanto outras não terão se dividido nenhuma vez ainda," explica Quaranta.

Além disso, observou ele, nem todas as drogas se comportam da mesma maneira em todas as linhagens de células. Por exemplo, uma droga pode ter um efeito imediato sobre uma linhagem celular e um efeito retardado em outra.

Proliferação induzida por drogas

Para resolver o problema, Quaranta e seus colegas começaram a desenvolver uma nova métrica para avaliar o efeito de um composto na proliferação celular - chamado DIP (Drug-Induced Proliferation, ou proliferação induzida por drogas) - que resolve o viés falho no método tradicional.

A métrica DIP oferece outra vantagem: ela pode revelar quais medicamentos são verdadeiramente citotóxicos (que matam as células), em vez de meramente citostáticos (que inibem o crescimento das células). Embora drogas citostáticas possam inicialmente ter efeitos terapêuticos promissores, elas podem deixar células tumorais vivas, que causam o retorno do câncer ou seu espalhamento.

A equipe desenvolveu um pacote de software que será disponibilizado juntamente com seu artigo. Agora eles tentarão encontrar parceiros que possam ajudar a refinar ainda mais o software e torná-lo amplamente disponível para a comunidade de pesquisas para tornar o processo de descobrimento de novas drogas contra o câncer mais eficaz.

"Mais de 90% dos candidatos a medicamentos contra o câncer falham em ensaios clínicos nas fases mais adiantadas, custando centenas de milhões de dólares. A falha na métrica de descoberta de drogas in vitro que descobrimos pode não ser o único fator responsável por isto, mas pode valer a pena fazer uma estimativa do seu impacto," recomendou Quaranta.


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